O grito de Megaron Txukarramãe contra Belo Monte

MST e indígenas protestam contra leilão de Belo Monte, em Brasília

Comunicado

Nós lideranças e guerreiros estamos aqui em nosso movimento e vamos continuar com a paralisação da balsa pela travessia do rio xingu. Enquanto Luiz Inacio Lula da Silva insistir de construir a barragem de Belo Monte nós vamos continuar aqui. Nós ficamos com raiva de ouvir Lula falar que vai construir Belo Monte de qualquer jeito, nem que seja pela força!!!   Agora Nos indios e o povo que votamos em Lula estamos sabendo quem essa pessoa. Nós não somos bandidos, nós não somos traficantes para sermos tratados assim, o que nós queremos é a não construção da barragem de Belo Monte. Aqui nós não temos armas para enfrentar a força, se Lula fizer isso ele quer acabar com nós como vem demonstrando, mas o mundo inteiro vai poder saber que nós podemos morrer, mais lutando pelo nosso direito. Estamos diante de um Governo que cada dia que passa se demonstram contra nós indios. Lula tem demonstrado ser  inmingo número um dos indios e Marcio Meira o atual Presidente da Funai tem demostrado a ser segunda pessoa no Brasil contra os indios, pois, a Funai não  tem tratado mais assuntos indigenas, não demarcação de terra indigena mais, não tem fiscalização  de terra indigena mais, não tem aviventação em terra indigena. Os nossos líderes indigenas  são empedido de entrarem dentro do predio da funai em Brasilia pela força nacional. O que esta acontecendo com nós indios é um fato de grande abandono, pois, nós indios que somos os primeiros habitantes deste pais estamos sendo  esquecidos pelo Governo  de Lula que quer a nossa destruição, é esta aconclusão que chegamos.

Lider indigena Megaron Txukarramãe

Aldeia Piaraçu, 26 de abril de 2010

Carta para  empressa

Governo Federal concede anistia política a Iris Rezende

GI­SEL­LE VA­NES­SA CAR­VA­LHO – Es­pe­ci­al pa­ra o Jor­nal Op­çãoDe 02 a 07 de maio de 2010

Qua­se 41 anos de­pois de se tor­nar um dos per­se­gui­dos po­lí­ti­cos bra­si­lei­ros, o ex-pre­fei­to de Go­i­â­nia, Iris Re­zen­de (PMDB) foi anis­ti­a­do na úl­ti­ma ter­ça-fei­ra, 27, pe­lo Go­ver­no Fe­de­ral. Du­ran­te a 36ª Ca­ra­va­na da Anis­tia, re­a­li­za­da na ci­da­de de Aná­po­lis, dis­tan­te 55 qui­lô­me­tros de Go­i­â­nia, a Co­mis­são de Anis­tia do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça de­ci­diu por in­de­ni­zá-lo em R$ 100 mil.

O be­ne­fí­cio foi jus­ti­fi­ca­do pe­los pre­ju­í­zos que a per­da do man­da­to, em 17 de ou­tu­bro de 1969, oca­si­o­na­ram ao pe­e­me­de­bis­ta du­ran­te o re­gi­me mi­li­tar bra­si­lei­ro. À épo­ca Iris era pre­fei­to de Go­i­â­nia. Emo­cio­na­do, o ago­ra anis­ti­a­do po­lí­ti­co, de­ci­diu por do­ar os 300 sa­lá­ri­os mí­ni­mos pa­ra três en­ti­da­des fi­lan­tró­pi­cas de Aná­po­lis: Ins­ti­tu­to Cris­tão Evan­gé­li­co, San­ta Ca­sa de Mi­ser­cór­dia e Hos­pi­tal Psi­qui­á­tri­co. O va­lor se­rá ra­te­a­do em três par­tes igua­is.

No jul­ga­men­to, Iris nar­rou aos mem­bros da co­mis­são as per­se­gui­ções e in­jus­ti­ças so­fri­das du­ran­te o pro­ces­so que cul­mi­nou na des­ti­tui­ção do car­go de che­fe do exe­cu­ti­vo mu­ni­ci­pal e na con­se­quen­te sus­pen­são dos di­rei­tos po­lí­ti­cos. Por cau­sa da di­ta­du­ra mi­li­tar, o pe­e­me­de­bis­ta foi con­de­na­do a se afas­tar da vi­da pú­bli­ca por dez anos. A de­ci­são so­bre a ne­ces­si­da­de de in­de­ni­za­ção por cau­sa da cas­sa­ção dos di­rei­tos po­lí­ti­cos de Iris foi unâ­ni­me.

“Ve­nho em res­pei­to a es­se gru­po de tra­ba­lho do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça, do­ta­do de mui­to sen­ti­men­to cí­vi­co, que con­vo­ca a to­dos aque­les e aque­las que fo­ram ví­ti­mas da di­ta­du­ra, uns com pri­sões, ou­tros com cas­sa­ções, ou­tros com apo­sen­ta­do­ri­as com­pul­só­rias, pa­ra dei­xar re­vis­tas es­sas in­jus­ti­ças na his­tó­ria, pa­ra que fu­tu­ras ge­ra­ções não te­nham en­ten­di­men­to di­fe­ren­te àque­les que num mo­men­to tris­te da po­lí­ti­ca na­ci­o­nal fo­ram ví­ti­mas de­la”, afir­mou.

Du­ran­te o pro­nun­ci­a­men­to, o pre­si­den­te da Co­mis­são de Anis­tia do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça, Pau­lo Abrão, rei­te­rou com ve­e­mên­cia a ne­ces­si­da­de do Es­ta­do se des­cul­par pu­bli­ca­men­te e res­ga­tar as in­jus­ti­ças co­me­ti­das du­ran­te o pe­rí­o­do di­ta­to­ri­al. “É pre­ci­so que es­te ato sir­va pa­ra que não ha­ja mais o cei­fa­men­to da li­ber­da­de de pen­sa­men­tos, pa­ra que não ha­ja mais le­sões à in­te­gri­da­de fí­si­ca e psi­co­ló­gi­ca, pa­ra que não ha­ja mais um es­ta­do au­to­ri­tá­rio ca­paz de ba­nir seus ci­da­dã­os do pa­ís. Nos­so com­pro­mis­so é com a ver­da­de e com a Jus­ti­ça”, ar­gu­men­tou, Pau­lo Abrão

Ape­sar do pe­di­do ofi­ci­al de des­cul­pas da Na­ção, Iris afir­mou que já ha­via si­do anis­ti­a­do pe­la po­pu­la­ção de Go­i­ás des­de o mo­men­to que, por meio do vo­to, lhe de­vol­veu o di­rei­to à vi­da pú­bli­ca. “Ten­ta­ram ca­lar mi­nha voz em 1969 quan­do ti­ve meu man­da­to co­mo pre­fei­to de Go­i­â­nia cas­sa­do e meus di­rei­tos po­lí­ti­cos sus­pen­sos por 10 anos. Mas se­gui mi­nhas con­vic­ções e fui ab­sol­vi­do pe­lo po­vo de Go­i­ás que tan­tos fi­lhos per­deu pa­ra o re­gi­me di­ta­to­ri­al. Ho­je re­ce­bo a de­mons­tra­ção cí­vi­ca do sen­ti­men­to de pá­tria. O po­vo não po­de de­sa­pren­der o exer­cí­cio da ci­da­da­nia”, acres­cen­tou, emo­cio­na­do, so­bre as pos­te­rio­res elei­ções pa­ra go­ver­na­dor de Go­i­ás, se­na­dor da Re­pú­bli­ca e pre­fei­to de Go­i­â­nia. Iris tam­bém foi mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra e da Jus­ti­ça.

Com a de­ci­são da Co­mis­são, aos 75 anos, Iris tor­na-se o se­gun­do ex-mi­nis­tro da Jus­ti­ça a re­ce­ber as des­cul­pas ofi­ci­ais do Es­ta­do. O pri­mei­ro foi Abe­lar­do de Araú­jo Ju­re­ma, em 1979.

Além do ca­so de Iris Re­zen­de, a Co­mis­são ana­li­sou ou­tros 68 pro­ces­sos na se­de do Cen­tro Uni­ver­si­tá­rio Uni-Evan­gé­li­ca. En­tre os apro­va­dos, es­tá re­pa­ra­ção eco­nô­mi­ca ao ex-go­ver­na­dor Hen­ri­que San­til­lo, que mor­reu em 25 de ju­nho de 2002. Os R$ 244 mil re­tro­a­ti­vos à re­mu­ne­ra­ção do mé­di­co des­de 2004 e uma pen­são vi­ta­lí­cia de R$ 3,2 mil se­rão pa­gos à vi­ú­va de Hen­ri­que, Sô­nia San­til­lo. Hen­ri­que foi ve­re­a­dor e pre­fei­to de Aná­po­lis, de­pu­ta­do es­ta­du­al, se­na­dor, go­ver­na­dor de Go­i­ás e mi­nis­tro da Sa­ú­de.

En­tre as au­to­ri­da­des pre­sen­tes na 36ª Ca­ra­va­na da Anis­tia, es­ta­vam os pre­fei­tos de Go­i­â­nia, Pau­lo Gar­cia (PT), e de Ana­pó­lis, An­tô­nio Go­mi­de (PT). Mais de 200 es­tu­dan­tes de Di­rei­to tam­bém es­ti­ve­ram pre­sen­tes no au­di­tó­rio do Uni­E­van­gé­li­ca.

Além de Go­i­â­nia e Aná­po­lis, a co­mis­são jul­gou pro­ces­sos de per­se­gui­dos po­lí­ti­cos das ci­da­des de Trom­bas de Go­i­ás (For­mo­so) e Go­i­a­ná­po­lis. A Ca­ra­va­na tam­bém pres­tou ho­me­na­gem à ana­po­li­nos anis­ti­a­dos co­mo o ex-ve­re­a­dor Ge­ral­do Ti­búr­cio, o jor­na­lis­ta Ha­rol­do Du­ar­te, o mi­li­tan­te po­lí­ti­co Cló­vis Bu­e­no e os ad­vo­ga­dos Car­los Men­des e Ma­ris­te­la Du­ar­te Men­des.
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