Câmara comemora os 25 anos de Autonomia Política de Anápolis

Mobilização popular em Anápolis pela autonomia política

Nesta quinta-feira (20), a Câmara Municipal de Anápolis irá realizar uma sessão solene em comemoração aos 25 anos de Autonomia Política e Administrativa da cidade de Anápolis. No evento estarão presentes ex-parlamentares que contribuíram para a Autonomia Política de Anápolis. A Sessão foi proposta pela atual Mesa Diretora da Câmara, na pessoa do vereador, Sírio Miguel, do PSB. Na solenidade, a mesa será composta pelo Prefeito atual de Anápolis, Roberto Gomide, Deputado Federal, Rubens Otoni, Presidente da IQUEGO, Pedro Canedo, Ex Deputado Federal pelo PC do B, Aldo Arantes, Ex-membro do Comitê Pró – Autonomia Política de Anápolis, Max Lânio Gonzaga Jaime, Ex-prefeito de Anápolis, Adhemar Santillo e pelo presidente da Câmara Municipal, Sírio Miguel.

Todos os ex-prefeitos de Anápolis, desde a sua autonomia, em 1985, foram convidados para a solenidade, além dos ex-interventores e presidentes de partidos políticos.

Histórico

Anápolis viveu momentos de autoritarismo, entre os anos de 1973 e 1985, foram 12 anos sem poder eleger o chefe do Poder Executivo. Com a instalação da Base Aérea de Anápolis, a cidade foi declarada Área de Segurança Nacional pelo governo militar. O município passou a ser administrado por interventores.

No início da década de 80 surgiram os primeiros movimentos pela redemocratização do país. Vários setores da sociedade anapolina também pediam a anistia política da cidade.

O Legislativo Anapolino participou ativamente do movimento pela autonomia política da cidade, com o Comitê Municipal Pró Autonomia Política de Anápolis, tendo como integrantes, além dos vereadores, deputados federais, estudais, representantes de partidos e de diretórios municipais.

O ex Deputado Federal pelo PCdoB, Aldo Arantes, foi autor do Projeto de Lei que revogou Anápolis como área de Segurança Nacional, justificando ser uma afronta a democracia os eleitores não poderem escolher livremente os governantes municipais. A lei foi sancionada pelo Presidente José Sarney em abril de 1985. Sendo assim, Anápolis saiu na frente e conquistou sua autonomia política.

Em maio de 1985, o presidente da República, José Sarney, enviou ao Congresso Nacional uma Emenda Constitucional restabelecendo eleições diretas em todas as capitais dos Estados, das estâncias hidrominerais e das cidades consideradas áreas de segurança nacional.O Pleito aconteceu no dia 15 de novembro. Quatro partidos participaram: PMDB com Adhemar Santillo, PFL com Pedro Canedo, PT com Rubens Otoni, e PDT, com Fernão Ivan. Anápolis participou com cerca de 93 mil eleitores.

Adhemar Santillo venceu as eleições com mais de 56% dos votos válidos. A parti dessa data, Anápolis comemora 25 anos de Autonomia Política. Além desta solenidade, a Câmara Municipal irá fazer uma sessão extraordinária, a partir das 9:00h, para revogar a cassação do ex-vereador Geraldo Tibúrcio (in memorian), cassado pela ditadura. Acontece também a criação da ouvidoria da Câmara Municipal.

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Anápolis celebra 25 anos de autonomia política

O Popular –  20/05/2010 – Paulo Nunes Gonçalves, de Anápolis

A Câmara dos Vereadores de Anápolis realiza hoje, a partir das 9 horas, uma sessão solene para comemorar os 25 anos de reconquista da autonomia política da cidade. A solenidade será dirigida pelo presidente da casa, Sírio Miguel Rosa (PSB), contando com a presença de personalidades que lutaram pela recuperação da autonomia política do município. Entre elas estão o ex-deputado Aldo Arantes, do PC do B, o primeiro prefeito eleito após a reconquista da autonomia, Adhemar Santillo (PMDB), e os ex-deputados, Pedro Canedo e Max Lânio Gonzaga Jaime, que na época pertenciam ao MDB.

Anápolis perdeu o direito de eleger seus prefeitos a partir de 1973 ao ser transformado em Área de Segurança Nacional – um ano após a instalação da Base Aérea no município. Na época, o prefeito eleito, José Batista Júnior, foi tirado do cargo. Para ocupar o lugar dele, foi nomeado o engenheiro Irapuan da Costa Júnior, que alguns anos mais tarde veio a ser governador do Estado. Posteriormente, o candidato que havia perdido a eleição para José Batista Júnior, Euripedes Junqueira, foi nomeado como prefeito.

A cidade recuperou sua autonomia só em 1985, através de uma mensagem enviada ao Congresso Nacional pelo então presidente José Sarney. A eleição do então deputado Adhemar Santillo marcou o novo período de eleições diretas para a prefeitura da cidade.

O grito de Megaron Txukarramãe contra Belo Monte

MST e indígenas protestam contra leilão de Belo Monte, em Brasília

Comunicado

Nós lideranças e guerreiros estamos aqui em nosso movimento e vamos continuar com a paralisação da balsa pela travessia do rio xingu. Enquanto Luiz Inacio Lula da Silva insistir de construir a barragem de Belo Monte nós vamos continuar aqui. Nós ficamos com raiva de ouvir Lula falar que vai construir Belo Monte de qualquer jeito, nem que seja pela força!!!   Agora Nos indios e o povo que votamos em Lula estamos sabendo quem essa pessoa. Nós não somos bandidos, nós não somos traficantes para sermos tratados assim, o que nós queremos é a não construção da barragem de Belo Monte. Aqui nós não temos armas para enfrentar a força, se Lula fizer isso ele quer acabar com nós como vem demonstrando, mas o mundo inteiro vai poder saber que nós podemos morrer, mais lutando pelo nosso direito. Estamos diante de um Governo que cada dia que passa se demonstram contra nós indios. Lula tem demonstrado ser  inmingo número um dos indios e Marcio Meira o atual Presidente da Funai tem demostrado a ser segunda pessoa no Brasil contra os indios, pois, a Funai não  tem tratado mais assuntos indigenas, não demarcação de terra indigena mais, não tem fiscalização  de terra indigena mais, não tem aviventação em terra indigena. Os nossos líderes indigenas  são empedido de entrarem dentro do predio da funai em Brasilia pela força nacional. O que esta acontecendo com nós indios é um fato de grande abandono, pois, nós indios que somos os primeiros habitantes deste pais estamos sendo  esquecidos pelo Governo  de Lula que quer a nossa destruição, é esta aconclusão que chegamos.

Lider indigena Megaron Txukarramãe

Aldeia Piaraçu, 26 de abril de 2010

Carta para  empressa

Governo Federal concede anistia política a Iris Rezende

GI­SEL­LE VA­NES­SA CAR­VA­LHO – Es­pe­ci­al pa­ra o Jor­nal Op­çãoDe 02 a 07 de maio de 2010

Qua­se 41 anos de­pois de se tor­nar um dos per­se­gui­dos po­lí­ti­cos bra­si­lei­ros, o ex-pre­fei­to de Go­i­â­nia, Iris Re­zen­de (PMDB) foi anis­ti­a­do na úl­ti­ma ter­ça-fei­ra, 27, pe­lo Go­ver­no Fe­de­ral. Du­ran­te a 36ª Ca­ra­va­na da Anis­tia, re­a­li­za­da na ci­da­de de Aná­po­lis, dis­tan­te 55 qui­lô­me­tros de Go­i­â­nia, a Co­mis­são de Anis­tia do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça de­ci­diu por in­de­ni­zá-lo em R$ 100 mil.

O be­ne­fí­cio foi jus­ti­fi­ca­do pe­los pre­ju­í­zos que a per­da do man­da­to, em 17 de ou­tu­bro de 1969, oca­si­o­na­ram ao pe­e­me­de­bis­ta du­ran­te o re­gi­me mi­li­tar bra­si­lei­ro. À épo­ca Iris era pre­fei­to de Go­i­â­nia. Emo­cio­na­do, o ago­ra anis­ti­a­do po­lí­ti­co, de­ci­diu por do­ar os 300 sa­lá­ri­os mí­ni­mos pa­ra três en­ti­da­des fi­lan­tró­pi­cas de Aná­po­lis: Ins­ti­tu­to Cris­tão Evan­gé­li­co, San­ta Ca­sa de Mi­ser­cór­dia e Hos­pi­tal Psi­qui­á­tri­co. O va­lor se­rá ra­te­a­do em três par­tes igua­is.

No jul­ga­men­to, Iris nar­rou aos mem­bros da co­mis­são as per­se­gui­ções e in­jus­ti­ças so­fri­das du­ran­te o pro­ces­so que cul­mi­nou na des­ti­tui­ção do car­go de che­fe do exe­cu­ti­vo mu­ni­ci­pal e na con­se­quen­te sus­pen­são dos di­rei­tos po­lí­ti­cos. Por cau­sa da di­ta­du­ra mi­li­tar, o pe­e­me­de­bis­ta foi con­de­na­do a se afas­tar da vi­da pú­bli­ca por dez anos. A de­ci­são so­bre a ne­ces­si­da­de de in­de­ni­za­ção por cau­sa da cas­sa­ção dos di­rei­tos po­lí­ti­cos de Iris foi unâ­ni­me.

“Ve­nho em res­pei­to a es­se gru­po de tra­ba­lho do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça, do­ta­do de mui­to sen­ti­men­to cí­vi­co, que con­vo­ca a to­dos aque­les e aque­las que fo­ram ví­ti­mas da di­ta­du­ra, uns com pri­sões, ou­tros com cas­sa­ções, ou­tros com apo­sen­ta­do­ri­as com­pul­só­rias, pa­ra dei­xar re­vis­tas es­sas in­jus­ti­ças na his­tó­ria, pa­ra que fu­tu­ras ge­ra­ções não te­nham en­ten­di­men­to di­fe­ren­te àque­les que num mo­men­to tris­te da po­lí­ti­ca na­ci­o­nal fo­ram ví­ti­mas de­la”, afir­mou.

Du­ran­te o pro­nun­ci­a­men­to, o pre­si­den­te da Co­mis­são de Anis­tia do Mi­nis­té­rio da Jus­ti­ça, Pau­lo Abrão, rei­te­rou com ve­e­mên­cia a ne­ces­si­da­de do Es­ta­do se des­cul­par pu­bli­ca­men­te e res­ga­tar as in­jus­ti­ças co­me­ti­das du­ran­te o pe­rí­o­do di­ta­to­ri­al. “É pre­ci­so que es­te ato sir­va pa­ra que não ha­ja mais o cei­fa­men­to da li­ber­da­de de pen­sa­men­tos, pa­ra que não ha­ja mais le­sões à in­te­gri­da­de fí­si­ca e psi­co­ló­gi­ca, pa­ra que não ha­ja mais um es­ta­do au­to­ri­tá­rio ca­paz de ba­nir seus ci­da­dã­os do pa­ís. Nos­so com­pro­mis­so é com a ver­da­de e com a Jus­ti­ça”, ar­gu­men­tou, Pau­lo Abrão

Ape­sar do pe­di­do ofi­ci­al de des­cul­pas da Na­ção, Iris afir­mou que já ha­via si­do anis­ti­a­do pe­la po­pu­la­ção de Go­i­ás des­de o mo­men­to que, por meio do vo­to, lhe de­vol­veu o di­rei­to à vi­da pú­bli­ca. “Ten­ta­ram ca­lar mi­nha voz em 1969 quan­do ti­ve meu man­da­to co­mo pre­fei­to de Go­i­â­nia cas­sa­do e meus di­rei­tos po­lí­ti­cos sus­pen­sos por 10 anos. Mas se­gui mi­nhas con­vic­ções e fui ab­sol­vi­do pe­lo po­vo de Go­i­ás que tan­tos fi­lhos per­deu pa­ra o re­gi­me di­ta­to­ri­al. Ho­je re­ce­bo a de­mons­tra­ção cí­vi­ca do sen­ti­men­to de pá­tria. O po­vo não po­de de­sa­pren­der o exer­cí­cio da ci­da­da­nia”, acres­cen­tou, emo­cio­na­do, so­bre as pos­te­rio­res elei­ções pa­ra go­ver­na­dor de Go­i­ás, se­na­dor da Re­pú­bli­ca e pre­fei­to de Go­i­â­nia. Iris tam­bém foi mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra e da Jus­ti­ça.

Com a de­ci­são da Co­mis­são, aos 75 anos, Iris tor­na-se o se­gun­do ex-mi­nis­tro da Jus­ti­ça a re­ce­ber as des­cul­pas ofi­ci­ais do Es­ta­do. O pri­mei­ro foi Abe­lar­do de Araú­jo Ju­re­ma, em 1979.

Além do ca­so de Iris Re­zen­de, a Co­mis­são ana­li­sou ou­tros 68 pro­ces­sos na se­de do Cen­tro Uni­ver­si­tá­rio Uni-Evan­gé­li­ca. En­tre os apro­va­dos, es­tá re­pa­ra­ção eco­nô­mi­ca ao ex-go­ver­na­dor Hen­ri­que San­til­lo, que mor­reu em 25 de ju­nho de 2002. Os R$ 244 mil re­tro­a­ti­vos à re­mu­ne­ra­ção do mé­di­co des­de 2004 e uma pen­são vi­ta­lí­cia de R$ 3,2 mil se­rão pa­gos à vi­ú­va de Hen­ri­que, Sô­nia San­til­lo. Hen­ri­que foi ve­re­a­dor e pre­fei­to de Aná­po­lis, de­pu­ta­do es­ta­du­al, se­na­dor, go­ver­na­dor de Go­i­ás e mi­nis­tro da Sa­ú­de.

En­tre as au­to­ri­da­des pre­sen­tes na 36ª Ca­ra­va­na da Anis­tia, es­ta­vam os pre­fei­tos de Go­i­â­nia, Pau­lo Gar­cia (PT), e de Ana­pó­lis, An­tô­nio Go­mi­de (PT). Mais de 200 es­tu­dan­tes de Di­rei­to tam­bém es­ti­ve­ram pre­sen­tes no au­di­tó­rio do Uni­E­van­gé­li­ca.

Além de Go­i­â­nia e Aná­po­lis, a co­mis­são jul­gou pro­ces­sos de per­se­gui­dos po­lí­ti­cos das ci­da­des de Trom­bas de Go­i­ás (For­mo­so) e Go­i­a­ná­po­lis. A Ca­ra­va­na tam­bém pres­tou ho­me­na­gem à ana­po­li­nos anis­ti­a­dos co­mo o ex-ve­re­a­dor Ge­ral­do Ti­búr­cio, o jor­na­lis­ta Ha­rol­do Du­ar­te, o mi­li­tan­te po­lí­ti­co Cló­vis Bu­e­no e os ad­vo­ga­dos Car­los Men­des e Ma­ris­te­la Du­ar­te Men­des.
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Anistia: reconhecimento tardio, mas merecido

Anápolis recebeu a 36ª Caravana da Anistia

Caravana da Anistia apreciou 69 processos em Anápolis. Dentre eles, os de Íris Rezende e de Henrique Santillo. Depoimentos foram marcados pela emoção.

Por Claudius Brito – Jornal CONTEXTO – 30/04/2010

“Nunca se esquecer, para que nunca mais aconteça”. A frase cunha o objetivo da Caravana da Anistia, que percorre o País com uma missão: fazer o reconhecimento público do Estado Brasileiro, inclusive, com pedido de perdão, às vítimas do período da ditadura militar, que perdurou de 1964 (deposição de João Goulart e posse do General Castello Branco) a 1985 (eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral). Neste período, foram feitas vítimas, milhares de brasileiros que se insurgiam contra o regime, além de um verdadeiro exército de presos políticos e exilados. A maioria deles passou por momentos de agonia num dos mais controversos períodos da história recente do Brasil.

A Caravana passou por Anápolis na terça-feira, 27, trazendo recordações e sentimentos de vitória por aqueles que, depois de muitos anos, obtiveram o perdão público do Estado e reparações pecuniárias. Nem todos puderam estar presentes para vivenciarem o momento histórico e recobrar um pouco da dívida com o passado. Foi caso do ex-vereador; ex-prefeito; ex-deputado estadual; ex-senador, ex-governador e ex-ministro da Saúde, Henrique Santillo.

O processo 64.201 relatado pelo conselheiro, advogado Egmar José de Oliveira (que foi vereador em Anápolis e é o único goiano na Comissão de Anistia), foi protocolado pela viúva de Henrique Santillo, Sônia Célia Santillo que, também, não pôde comparecer à audiência por motivos de saúde. Coube a Adhemar Santillo, irmão de Henrique, representar a família. Em sua fala, ele traçou uma rápida trajetória do anistiando, que fora, segundo relatou, um aluno brilhante que se apaixonou pela política no movimento estudantil. A família, oriunda de Ribeirão Preto-SP, veio para Anápolis no ano de 1944. Henrique deixou a cidade para estudar medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e retornou após a formatura para trabalhar. Ganhou conceito pelo seu perfil humanista.

O sucesso na carreira e a paixão pela política, o conduziram à Câmara de Vereadores de Anápolis, em 1965, com 1.536 votos – a maior votação proporcional já registrada para o cargo. Porém, a opção partidária pelo antigo MDB chamou a atenção e, no dia da diplomação, o juiz eleitoral local não concedeu o diploma, que veio após recurso junto do Tribunal Regional Eleitoral. Adhemar Santillo narra que, na época, seu irmão conseguiu anexar uma declaração de um órgão do Exército, atestando que ele, Henrique, não estava “fichado” como comunista. Em meio à confusão, o Tribunal recebeu um telex do então governador de Minas Gerais, para que se desconsiderasse a declaração. No entanto, o TRE resolveu manter a decisão e conceder a diplomação.

Descredenciamento

As perseguições não pararam por aí. Henrique Santillo foi descredenciado como médico do antigo INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), sob a alegação de tratar-se de um “elemento perigoso”. As dificuldades não abalaram Henrique Santillo que seguiu suja trajetória profissional e política, elegendo-se prefeito (1969-1972), deputado estadual (1975-1979), senador (1979-1987) e governador (1987-1991). De 1993 a 1995, exerceu o cargo de Ministro da Saúde, no governo de Itamar Franco. Após deixar o ministério, Dr. Henrique Santillo, o “elemento perigoso”, foi prestar atendimento ambulatorial em um pequeno Posto de Saúde da Família (programa que ele mesmo criou quando ministro), na região Norte de Anápolis. Foi presidente do Tribunal de Contas do Estado, em 2002, ano de seu falecimento, no dia 25 de junho.

A família Santillo recebeu o perdão público do Estado. À viúva, foi concedida uma pensão pecuniária mensal, de R$ 3,2 mil retroativa a 1994, somando R$ 244 mil. “Se há uma voz que foi autêntica na defesa da democracia, na defesa do povo e contra o regime antidemocrático, essa voz foi a de Henrique Santillo”, proclamou Adhemar. A reparação, embora tardia, foi justa ao político de maior projeção de Anápolis.

Goiás: trincheira da luta democrática

O relato de Íris Rezende Machado, ex-governador; ex-senador; ex-ministro da Agricultura e da Justiça, ex-prefeito de Goiânia e, atualmente, licenciado do cargo para disputar, novamente, o Governo de Goiás, foi carregado de emoção e uma verdadeira aula de história e civismo.
No auge da carreira como prefeito de Goiânia e com fama no País pelos grandes mutirões para a construção de moradias destinadas às famílias de baixa renda, Íris Rezende, foi cassado em 17 de outubro de 1969, quando estava bem posicionado para disputar o Governo de Goiás.

No depoimento, ele contou algumas passagens de bastidores. Numa delas, a abordagem feita por um general do Exército que, sutilmente, lhe informou que não era aceitável um comunista no governo e estava, por isso, retirando do cargo o então governador Mauro Borges e pedia que, como deputado, Íris colaborasse com os seus pares na Assembleia legislativa. “Eu disse que não tinha condição de atender ao pedido, por que me elegera pelo PTB, partido de Mauro Borges”, disse. O general, então, solicitou que Íris, então Presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, convocasse os demais deputados para uma conversa reservada, pedido este que, também, negou-se a atender. Da mesma forma, se insurgiu contra a prisão do líder camponês e deputado José Porfírio, dentro do recinto do Parlamento Goiano.

Com a deposição de Mauro Borges, a Assembleia elegeu, indiretamente, Ribas Júnior, oficial do Exército, para um governo transitório. Quando chegou o período da eleição, Íris já era uma liderança reconhecida e a sua vitória era iminente. “Fui surpreendido com a cassação do mandato de prefeito e a suspensão dos direitos políticos”, sublinhou, acrescentando que chegou a ser convidado a ingressar na Arena (partido que apoiava o regime militar), mas foi para o MDB (oposição ao regime), partido que ajudou a fundar.

Diretas Já

Íris Rezende ressaltou que Goiás foi um dos estados brasileiros mais prejudicados pelo regime da ditadura, com várias lideranças na lista dos perseguidos: ele próprio, Mauro Borges; Pedro Ludovico; o então senador por Goiás Juscelino Kubitscheck, Honestino Guimarães e muitos outros. Em contraponto, transformou-se numa das principais fronteiras de defesa do Estado Democrático de Direito. “Foi em Goiás, a primeira mobilização pelo movimento que ficou conhecido como ´Diretas-Já´, com mais de 500 mil pessoas lotando a Praça Cívica e ruas adjacentes. Naquele momento, trincava-se a muralha da ditadura no país e tive o privilégio de coordenar a manifestação”, lembrou, com a voz embargada pela emoção.

O processo de Iris, sob o número 61.154, foi o primeiro julgado pela Comissão da Anistia, na caravana que passou por Anápolis. Também relatado pelo conselheiro Egmar José de Oliveira, culminou com o a declaração de anistia, o pedido de perdão e uma reparação indenizatória de R$ 100 mil que, a pedido do próprio Iris, deverá ser doada em partes iguais a três instituições da cidade: a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital Espírita Psiquiátrico e o Instituto Cristão Evangélico.

Comunistas, sim, com orgulho

A Caravana da Anistia em Anápolis, rendeu homenagem a algumas personagens da história política que, também, sofreram com o regime de exceção. Com mais de 90 anos de idade e em uma cadeira de rodas, Clóvis Bueno, passou emoção ao público, dizendo: “Essa é uma vitória de todos nós”. O ex-deputado Haroldo Duarte, destacou que a Caravana faz justiça ao Brasil.

A advogada Maristela Duarte Mendes, esposa de Cláudio Mendes (já falecido), ambos também homenageados, disse em alto e bom tom que, graças ao marido, “me tornei subversiva”. Se fosse no tempo da ditadura, uma declaração como esta, em público, seria o passaporte para os porões da repressão. Ao CONTEXTO, ela lembrou que a sua luta “comunista”, foi também uma luta de superação como mulher para vencer os preconceitos da época e estimular outras mulheres a ingressarem na vida política. Outro homenageado foi o ex-vereador Geraldo Tibúrcio, que foi encarcerado no famoso e hoje extinto presídio do Carandiru, em São Paulo e que já havia sido anistiado.

O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, ressaltou que o trabalho de resgate da memória, a preservação da verdade e a busca das documentações que, até então, não foram disponibilizadas para a sociedade, são meios para que se possa reafirmar a democracia do País, “reconhecendo a importância dos que lutaram para que tivéssemos as liberdades que temos hoje e apontássemos para o futuro, a fim de não repetirmos mais os erros do passado”.

Perdão

Ainda, segundo Paulo Abrão, esse perdão oficial é um “momento de reconciliação do Estado, se redimindo com aqueles que, no passado, foram estigmatizados, chamados de subversivos, terroristas, inimigos da pátria, mas que, em verdade, eram pessoas que estavam resistindo contra um regime autoritário e não tinham a mesma oportunidade de expressarem as suas opiniões, tal como os ditadores da época realizavam”.
Desde a sua criação, em 2001, a Comissão de Anistia já apreciou mais de 64 mil processos. Em Anápolis, a Caravana do Ministério da Justiça analisou 69 requerimentos.

Além dos nomes conhecidos pela mídia, constam da relação lideranças comunitárias, profissionais liberais, operários, professores e outros. A Comissão já está elaborando um acervo histórico dos períodos de repressão política no País. O Memorial pretende organizar, preservar e divulgar a memória dos “anos de chumbo” no Brasil. Até o final do mês, ela estará aberta ao público na Faculdade de Direito de Anápolis, onde foram realizados os trabalhos da Caravana, a exposição fotográfica “A Ditadura do Brasil – 1964-1985 – Direito à Memória e à Verdade”, produzida pela Secretaria de Direitos Humanos.

Caravana da Anistia apreciou 69 processos em Anápolis. Dentre eles, os de Íris Rezende e de Henrique Santillo. Depoimentos foram marcados pela emoção.