Igreja denuncia execuções por PMs em Goiás

Onu divulgou relatório dizendo que polícia militar de Goiás continua matando em índices alarmantes

O Popular – Rosana Melo – 02/06/2010

De 33 pessoas de um grupo ameaçado de morte por policiais militares na região metropolitana de Goiânia, apenas 1 está viva. As 32 mortes aconteceram nos últimos dois anos. Todas eram testemunhas de assassinatos cometidos por policiais no exercício ou não da função. A denúncia é da Pastoral Carcerária em Goiás.

De acordo com a Irmã Maria José Monteiro de Oliveira, coordenadora da Pastoral Carcerária em Goiás, todo mundo sabe que existe um grupo de extermínio em atuação em Goiás, mas não existem provas. “As vítimas são pessoas que não acreditam nas ameaças e acabam mortas”, disse. Ela explica que as vítimas são, principalmente, reeducandos do semiaberto e pessoas que presenciaram ações ilícitas de militares. “A gente fica triste porque no Brasil não existe pena de morte legalizada, mas infelizmente, ela existe”, disse.

O padre jesuíta Geraldo Marcos Labarrere, diretor da Casa da Juventude e membro do Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial, diz que policiais são apontados também como os executores de moradores de rua, alguns menores de idade, em Goiânia.

Jovens atendidos pela Casa da Juventude relataram que policiais militares são os responsáveis por duas execuções recentes de moradores de rua. Segundo ele, não tem é como provar tais envolvimentos.

Os dois assassinatos ocorreram na madrugada do dia 20 de maio. Jeferson Ferreira Barbosa, de 16 anos, foi morto no Setor Marechal Rondon com vários tiros de pistola calibre 45 e de espingarda calibre 12. As mesmas armas foram usadas na execução de Walter de Santana Alves Feitosa, de 32, no Setor Norte Ferroviário. Os dois casos são investigados pelo delegado José Maria da Silva, da Delegacia de Investigações de Homicídios.

O padre não acredita que tenha ocorrido em Goiânia uma redução no número de execuções por parte de policiais militares. Segundo ele, os militares estão se especializando e fazendo o ilícito fora do horário de expediente. “É claro que existem momentos de refluxo”.

Em seu trabalho no Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial, o padre Geraldo Labarrere acompanhou uma família que teve quatro pessoas assassinada em pouco tempo. “Uma delas era sargento da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), que denunciou o assassinato brutal do sobrinho, que tinha menos de 18 anos de idade, e que teve depois o pai e um irmão morto”. A série de crimes aconteceu entre o final de 2004 e julho de 2005.

O próprio funcionamento do Comitê, que antes era aberto, está ocorrendo em regime mais fechado, evitando que as famílias vítimas de violência policial continuem recebendo ameaças. “Estamos evitando manifestações”, contou.

Para o delegado Jorge Moreira da Silva, titular da Delegacia de Homicídios, houve uma redução no número de execuções por parte de policiais militares em Goiás. “Atualmente há um maior controle da polícia, por meio de sua ouvidoria, que instaura procedimento para averiguar a letalidade da polícia”, afirmou.

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