Encontro em Agadir começa tenso e pode decidir futuro da Comissão Internacional da Baleia

Caça às baleias: crueldade e risco de extinção

 Há o temor de que a ausência de um acordo desarticule a Comissão; ongs se dividem entre conceder mais dez anos às três nações que ainda caçam ou fazer valer a moratória

Os planos para derrubar a moratória comercial de caça às baleias, instituída em 1986, em troca da redução do número de baleias mortas a cada ano estavam gerando confusão hoje, na abertura da reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB), com países e grupos divididos.

Os 88 países membros da Comissão concordaram em se encontrar em sessão fechada por dois dias em Agadir, no Marrocos, para decidir se adotam um esboço de estratégia que permita à Noruega, à Islândia e ao Japão caçar legalmente baleias ao redor da Antártida e em outros locais por mais dez anos, em troca de uma queda gradual no número de animais capturados.

A União Européia, liderada pelo Reino Unido, adotou uma posição comum no final de semana, contra a retomada de qualquer tipo de caça às baleias. Mas os Estados Unidos e a Nova Zelândia continuam a endossar fortemente o pacote de medidas proposto pelo presidente da CIB.

Em um movimento que pegou muitos de surpresa, três dos maiores grupos não-governamentais do mundo – WWF, Greenpeace e Pew – disseram hoje que estavam preparados para o recomeço da caça comercial contanto que as seis condições que estipularam em conjunto fossem observadas. São elas: o fim da caça no Santuário Baleeiro do Oceano Austral; o condicionamento da caça à garantia de que os produtos originários das baleias sejam consumidos apenas no mercado doméstico (interno); o uso das medidas científicas da CIB para a mensuração do número de animais que podem ser caçados anualmente (chamadas de Revised Management Procedure – RMP); a proibição da caça de espécies ameaçadas de extinção; a mudança na redação do artigo VIII da Convenção Internacional para Regulação da Atividade Baleeira (que trata da caça para fins científicos e especifica que cada país pode estipular sua quota de captura) e a aceitação das regras estipuladas neste encontro por parte de todos os países participantes da CIB (visto que Noruega, Japão e Islândia voltaram a caçar por fazerem objeções às definições da CIB).

“Eu fiz um apelo aos negociadores para que corressem riscos políticos no intuito de melhorar a proposta atual. O encontro em Agadir pode e deve salvar baleias, não a indústria baleeira”, disse Junichi Sato, Diretor de Campanhas do Greenpeace no Japão.

Mas esta possibilidade foi imediatamente rejeitada por muitos outros grupos ambientalistas, incluindo o Whale and Dolphin Conservation Society (WDCS) e o International Fund for Animal Welfare, que afirmaram que não estão dispostos a aceitar qualquer tipo de retorno da caça comercial.

“Isso enfraquece a posição da União Européia. Seria um erro fundamental aceitar que essas três nações continuem a ignorar a moratória”, disse Nikki Entrup da WDCS.

“Que tipo de menssagem isso pode gerar para países que costumavam caçar baleias, como a Coréia? Eu apelo para que o Greenpeace reveja sua posição. Eles querem fazer a coisa certa, mas mais baleias são mortas no hemisfério Norte do que no hemisfério Sul”, afrimou Entrup.

O Greenpeace esclareceu sua posição. “A moratória global tem de ficar de pé. Mas o problema é que essa caça acontece fora do alcance da CIB. A única maneira de fazer com que a moratória funcione de fato é trabalhar para trazer a caça comercial para dentro do alcance da CIB e então forçar o banimento”, conclui Sarah North, diretora de campanha do Grupo.

A caça mata aproximadamente 2 mil baleias por ano, incluindo espécies à beira da extinção. Desde que a moratória foi introduzida, há 25 anos, aproximadamente 33 mil baleias foram mortas, de acordo com o Animal Welfare Institute, em Washington.

Mas há o temor de que, se não for feito um acordo em Agadir, a CIB pode entrar em colapso. O encontro, que começou nesta segunda, termina na sexta, dia 25.06.

Celebridades

Nas últimas semanas, várias celebridades manifestaram suas opiniões acerca da caça de baleias. O ex-beattle Paul McCartney foi um deles. Em sua declaração, McCartney afirma: “chegou o momento de acabarmos com o abate cruel das baleias, deixando essas maravilhosas criaturas em paz. Em pleno século XXI, como ainda podemos conceber a matança de baleias – ou de qualquer animal – de forma tão bárbara? Os governos devem agir com responsabilidade e proteger esses belos seres.” Paul McCartney conclui que “a melhor forma de nos relacionarmos com as baleias é por meio da observação desses animais e não através da caça”.

21 de junho de 2010 | http://www.estadao.com.br/ – Com informações de The Guardian – http://migre.me/RfRe

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