A CPFM e a saúde pública no Brasil

O Brasil, como qualquer outro país, tem dois caminhos para cuidar da saúde da população. De um lado pode seguir o modelo americano, fundamentado nos planos de saúde. Nos EUA, mesmo com a reforma realizada por Obama, o acesso à médicos e hospitais só acontece através de planos de saúde. É o capitalismo na medicina, na sua forma mais pura. Um outro modelo é aquele adotado na França, em que o Estado, através de uma rede pública de saúde, oferece os serviços de saúde a todos, inclusive estrangeiros.  Estes sistemas não são excludentes e o Brasil adota os dois: temos hospitais públicos, que atendem a população mais pobre, e os planos de saúde, financiados pelos brasileiros endinheirados.

Entendo que o Brasil deve continuar buscando a meta de universalizar os serviços de saúde, assegurando a todos os serviços públicos, que hoje atendem 80% da população, através do SUS. Para isso é importante investir cada vez mais no setor de saúde – uma prioridade apontada por políticos e eleitores. Daí a importância da CPMF, que vai trazer recursos para o setor, a despeito dos protestos da classe média e alta, que prefere uma vida privada, com planos de saúde, escolas particulares e condomínios privados. Mas o que precisamos é de um Brasil com serviços públicos para todos, não só na saúde, mas na educação, na Previdência Social e na segurança pública. E isso só é possível com a arrecadação de impostos, com a participação de todos.

Ainda com relação ao CPMF vale lembrar que é considerado um tributo justo, cobrado dos que têm mais dinheiro e destinado aos que têm menos. Além disso vai atender – em parte – a crônica falta de recursos para o setor de saúde, já que o Brasil é um país que, comparativamente, investe pouco neste setor.

O  médico Gilson Carvalho, consultor do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), em entrevista ao Estadão, compara o gasto per capita com saúde no Brasil e noutros países, e constata que é preciso que é preciso aumentá-lo. Em dados de 2006, o Brasil gasta US$ 367 per capita por ano com saúde; Colômbia, US$ 534; Argentina, US$ 758; Portugal, US$ 1.494; Inglaterra, US$ 2.434; França, US$ 2.833; Estados Unidos, US$ 3.074. Em 2009, o gasto brasileiro subiu para US$ 442.

 

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