Dicas para o cultivo de orquídeas

C. walkeriana Duque de Caxias x Azurita


As orquídeas constituem, com mais de 25 mil espécies registradas até o momento, uma das maiores e mais evoluídas famílias do Reino Vegetal, possibilitando ainda a formação de inúmeros híbridos, por meio de cruzamentos ocorridos na natureza, bem como realizados de forma artificial pela mão humana. As orquídeas são encontradas na natureza e são também cultivadas, de forma profissional ou por amadores. O cultivo profissional acontece em viveiros comerciais, com grande desenvolvimento no estado de São Paulo. Existem também milhares de pessoas que admiram a beleza das orquídeas e as cultivam de forma amadora, como um hobby. Este é o nosso caso.

1. Associações e Feiras

Um passo inicial importante para quem está iniciando é a aproximação com outros orquidófilos, pessoas mais experientes e que podem ensinar as primeirs dicas. Os orquidófilos se encontram em associações (presentes em muitas cidades brasileiras) para a troca de experiência e conhecimentos. Estas entidades integram a CAOB.

A CAOB (Coordenadoria das Associações dos Orquidófilos do Brasil) é o órgão de representação das entidades orquidófilas, fundado em 22 de junho de 1969, em Rio Claro. Hoje sua sede administrativa está em Porto Ferreira (SP). Atualmente a CAOB reúne 211 entidades profissionais, autônomas e amadoras de todo o País. O objetivo da coordenadoria é congregar as associações orquidófilas brasileiras e entidades afins, incentivando entre elas e seus associados o espírito de cooperação. Na prática, a CAOB fomenta e difunde a prática da orquidofilia, o estudo e a cultura das orquidáceas por meio de pesquisas, cursos, palestras, conferências, congressos e publicações. A CAOB também organiza anualmente o calendário de exposições das associações afiliadas, e ainda coordena e apóia essas exposições. Visite o site e saiba mais: http://www.caob.com.br/

Em Goiás nos temos a Federação das Associações Orquidófilas do Cerrado, a Associação Goiana de Orquidófilos e a Associação Orquidófila de Anápolis . Fique atento ao calendário de exposições em Goiás: Piracanjuba em maio, Anápolis em julho e Goiânia em outubro (23 a 25/10)e visite, em Goiânia, o Orquidário Municipal, localizado no Bosque dos Buritis.

Além da convivência proporcionada pelas associações, recomenda-se também as pessoas interessadas que freqüentem as exposições, adquiram livros e revistas sobre o assunto e façam pesquisas na internet, onde podem encontrar muitas informações e até mesmo adquirir plantas.

2. Adquirindo uma planta

• Ao comprar uma orquídea o comprador deve observar, além da beleza da flor, a saúde da planta, que pode ser verificada através das folhas verdes, do enraizamento, das condições gerais do vaso e do substrato. É importante evitar comprar plantas com sinais de pragas ou doenças, como manchas e a presença de insetos.
• Peça ao vendedor para informar e fornecer, em uma plaqueta, o nome da planta. Normalmente se utiliza o nome científico, embora muitas plantas sejam conhecidas por seu nome comum. A planta Oncidium, por exemplo, é um gênero de orquídeas largamente distribuídas na América do Sul, sendo conhecida popularmente pelo nome de “Bailarina” ou “Chuva de Ouro”.

3. Local adequado / Iluminação

• A maioria das orquídeas são plantas epífitas, isto é, tem raízes aéreas e vivem em árvores, onde geralmente não recebem luz direta: a luz solar é filtrada pelas folhas e galhos das árvores. No cultivo doméstico podemos usar o sombrite, que é uma tela de proteção que filtra a luz, medida em porcentagem, geralmente de 50% a 70%, o que suficiente para proporcionar a luminosidade necessária. São plantas epífitas, mas não são plantas parasitas.

• Se você mora em apartamento ou não tem como construir um orquidário, procure um local ventilado, que receba luz indireta, ou ainda que receba o sol no período da manhã. Pode-se também plantar as orquídeas em árvores domésticas.

• Outro cuidado que se deve ter é com a ventilação: o ambiente deve ser arejado e protegido de ventos.

4. Água

• As orquídeas, em sua maioria, toleram mais a estiagem do que períodos de muita chuva ou regas constantes, por isso uma leve umidade será ideal para suas plantas.

• Só devemos regar a orquídea quando o xaxim estiver completamente seco e os jatos suaves são ideais.

• A água da chuva é a melhor que existe para a sua planta, desde que não seja em excesso. Se puder, evite regar as plantas com água clorada.

• Tenha cuidado, pois o excesso de água pode matar a planta!

5. Adubos

• Assim como o corpo humano, as plantas também precisam de alimento e o alimento das orquídeas, como de todos os vegetais, é o adubo. As orquídeas gostam de adubo, porém precisam pouco dele.. As orquídeas na natureza vivem sobre árvores e a quantidade de adubo que elas conseguem lá é mínima e vivem muito bem. Portanto, relaxe um pouco com o adubo, pois é como na rega, muito mais fácil de errar pelo excesso do que pela falta. Na dúvida, não regue. Na dúvida, não adube.

• Um dos adubos mais utilizados pelos orquidófilos é o adubo Peter’s, na composição 20-20-20, que deve ser aplicado de 15 em 15 dias. De 3 em 3 meses pode-se aplicar uma mistura bem curtida de farinha de osso + farinha de ostra + cinza de madeira.

• Veja bem: não se deve adubar em demasia a orquídea, pois muito adubo é prejudicial. A cada 15 dias faça uma pulverização foliar, isto é, diretamente nas folhas usando para isso uma pequena bomba e depois dessa aplicação, deixe de regar com água por 48 horas. É preferível adubar antes do sol nascer ou à noite, pois as plantas possuem estômatos, que se abrem à noite.

6. Pragas e Doenças

Pragas e doenças atacam as orquídeas por muitos motivos e hoje existem diversas formas de controle e combate de pragas e doenças, naturais ou industrializadas. O controle adequado de luz, umidade e adubação correta do substrato favorecem o não aparecimento de doenças e pragas. A disposição dos vasos com distância mínima de 20 cm também é aconselhado, para que parasitas não migrem de uma planta para outra. A esterilização de tesouras e o próprio manuseio de plantas doentes deve ser feito com atenção, para que não se passe doenças para plantas sadias logo depois. Mudas, que são mais sensíveis às doenças, devem ficar separadas de plantas adultas. Não deixe uma planta doente perto de uma planta sadia.

Em geral, muita umidade pode trazer problemas crônicos para as raízes, causando seu apodrecimento. O acúmulo de água é também causa da perda e amarelamento das folhas, deixando-as com uma coloração verde-garrafa. É também excesso de umidade que atrai fungos que podem matar uma planta adulta num curto espaço de tempo. Pragas também são comuns em orquídeas, como os pulgões. Uma planta sob ataque de um pulgão comum, da família dos afídeos (Aphidae), que adora sugar seiva de hastes novas (hastes de Oncidium são um alvo comum), e de botões florais, o que pode acabar com uma bela floração em poucos dias.

Além de danificar as flores, os pulgões podem transmitir certos tipos de vírus, notadamente o OFV (Orchid Fleck Virus). Outras pragas como Lesmas, caracóis, nematóides e conchonilas variadas, que comem as raízes ou atacam as folhas e flores.
No caso de lesmas e caracóis, recomenda-se a retirada manual através de armadilhas de miolo de pão embebido em cerveja ou mesmo cortes pequenos de chuchu. Para retirada completa dos ovos (que medem de 1 a 3 mm) e o restante dos caracóis, deve-se afundar o vaso da planta por uma ou duas horas em água e repetir este processo nas próximas duas ou três semanas seguintes.

Ao comprar uma planta, procure sempre conhecer sua procedência, para não levar para casa uma espécie contaminada por vírus, nematóides, caracóis e fungos, por exemplo. Se o problema dos pulgões e conchonilhas persistir, tente o uso do fumo de rolo. Ferva 100g de fumo de rolo picado em 1,5 litro de água. Acrescente uma colher de chá de sabão de coco em pó. Espere esfriar e borrife sobre as plantas infectadas. É importante ferver o fumo, pois pode ser portador de vírus.

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