Pela Comissão Estadual da Verdade

O POPULAR – 13/11/2012

A convite, prestei depoimento dia 18 de outubro à Comissão Estadual da Verdade de Pernambuco, relatando as torturas aplicadas pelos agentes da ditadura militar no estudante de engenharia Odijas de Carvalho, em janeiro de 1971, que morreu em consequência das torturas sofridas.

Voltei para Goiás, depois de conhecer o trabalho da Comissão, em Recife, convencido da necessidade histórica, imperdível e de improrrogável importância da criação de uma comissão semelhante em Goiás. Por iniciativa do governador Eduardo Campos foi criada uma comissão, composta por nove membros da mais alta competência para apurar os atos criminosos tais como perseguições, cassações, demissões, torturas, assassinatos, praticados pelos agentes da ditadura no Estado. Também para descobrir e indicar locais públicos e privados utilizados para praticar arbitrariedades e crimes contra a cidadania e os opositores do regime militar. Ela atua em parceria com a comissão nacional criada pela presidente Dilma Rousseff.

Com a construção de Brasília, o governo inovador de Mauro Borges, a luta pela legalidade em defesa da posse de João Goulart, Goiás viveu uma rica e transformadora experiência. Foi duramente punido pela ditadura, o único Estado a sofrer intervenção militar, teve seu governador deposto, as principais lideranças políticas cassadas. Torturas, assassinatos, às vezes o desaparecimento puro e simples de opositores, era a regra contra os resistentes.

O deputado José Porfírio, James Allen, Divino Ferreira, Paulo Celestino, Marco Antônio Batista, Ismael Silva de Jesus, entre outros, foram “desaparecidos”. Lideranças com os direitos políticos cassados, senadores Juscelino Kubistchek, Pedro Ludovico, João Abrão; governador Mauro Borges, prefeito de Goiânia, Iris Rezende; o vereador João Silva Neto; deputados José Porfírio, Pedro Celestino, Jaime Câmara, Paulo Campos, Valteno Cunha, Olinto Meirelles, Ari Demóstenes, Eurico Barbosa, Wilson de Paixão, Jaci de Campos, Olímpio Jayme, Francisco Japiassu, Nelito Brandão, assim como os desembargadores Maximiano da Mata Teixeira, Geraldo de Freitas, Jorge Jardim, Frederico Medeiros e Everardo de Souza.

Intelectuais como Bernardo Élis e Carmo Bernardes, assim como tantos outros, foram perseguidos pelo regime. O arcebispo de Goiânia, d. Fernando dos Santos e seu auxiliar, o padre José Maria Pereira, foram perseguidos porque prestavam solidariedade às vítimas da ditadura.

Os crimes dos agentes da ditadura em Goiás, precisam ser investigados e esclarecidos.

Historicamente, é muito importante valorizar pessoas simples, personalidades marcantes que fizeram parte desta luta. Dentre os quais destacamos o bravo advogado da liberdade, Rômulo Gonçalves, Henrique Santillo, João Divino Dornelles, Fernando Cunha, Derval de Paiva, Ademar Santillo, Vieira de Melo, Luiz Antero, Paulo de Jesus, Colemar Natal, Joana D’Arc Pimentel, Omar Carneiro, Valter Valadares, Geraldo Tibúrcio, Brício Cordeiro, Pedro Wilson, Marcantônio de La Corte, Orieste Gomes, Valterli Guedes, José Elias Fernandes, Élio Cabral, Joaquina de Castro, Erlan de Castro, Lamenais Maia, Sebastião Tavares, Neso Natal, Cristiano Teixeira, Hugo Brockes, José Fernandes, Geraldo Bailão, Élbio de Brito, Mari Baiochi, Armênia Nercessian, Euler Ivo, Paulo Villar, professor Pantaleão, Tabajara Póvoa, Carlos Santa Cruz, Benito Damasceno, Jesus Jayme, Aldo Arantes, Miguel Batista, Dirce Ribeiro, Osmar Magalhães, Valdir Camárcio, Eleuze Machado, Cristóvão do Espírito Santo.

Tenho a esperança de que o governador Marconi Perillo compreenda a importância para a história da criação da Comissão da Verdade em Goiás. Cabe a ele a iniciativa de criá-la através de lei. Tenho certeza: se instituída, ela exercerá um papel relevante para o conhecimento da verdade e da luta democrática em Goiás. Será um fator para a verdadeira pacificação da sociedade goiana com a verdade dos fatos vindos à tona.

 

Tarzan de Castro é ex-deputado estadual e federal

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Um pensamento sobre “Pela Comissão Estadual da Verdade

  1. meu pai José Ubaldino de Freitas, hoje com 85 anos, comunista de carteirinha, escrivão em Interlandia fugiu para não ser preso e se refugiu na fazenda dos Caiados. Para não ser preso e torturado passou do PC para a Arena. Hoje mora em Padre Bernado de Goiás; está vivo e com muita saúde.

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