Fazer justiça com as próprias mãos: um imenso retrocesso!

O mundo, no seu processo evolutivo, vai da força para o Direito, da vingança para a Justiça. Este é um processo lento, que vem desde os primórdios da humanidade. Nos primeiros agrupamentos humanos prevalecia a força e os crimes eram solucionados pelas famílias das vítimas que, com as próprias mãos, vingavam o assassinato do parente morto. Prevalecida o direito da força, do mais forte.

Muito lentamente a Justiça deixou de ser privada e passou a ser pública: os julgamentos passaram a ser feitos pelo chefe do clã, vale dizer, por um juiz. Hoje é assim: o Direito Penal integra o ramo do Direito denominado Direito Público e as pessoas, quando cometem um crime, têm direito a um julgamento, a um juiz imparcial, a um recurso. Prevalece a força do Direito.

Há muito tempo, com a luz do Renascimento, do Iluminismo, da Revolução Francesa, da Constituição Americana, a Justiça deixou de ser privada, e no estágio atual da civilização – que ainda tem muito a caminhar – os julgamentos são públicos, presididos por um Juiz, que deve fundamentar sua decisão em provas, na Lei, no Direito e na Razão.

O que a jornalista do SBT defendeu foi o direito das pessoas voltarem a fazer Justiça com as próprias mãos, “já que o Estado não consegue dar segurança para as pessoas”.  Ela tem todo o direito de expressar a sua opinião, de defender que a Justiça volte a ser feita com as próprias mãos. São as oscilações do processo evolutivo, ora para o passado, ora para o futuro.

Mas, não se trata de impor à jornalista uma “ditadura do discurso único”. Ela e aqueles que pensam como ela, tem todo o direito de expressar sua opinião, mas precisam saber o que estão falando, à luz do processo evolutivo da humanidade!

O fato de ter o direito de expressar sua opinião, não significa que ela esteja certa. Pelo contrário, o que ela propõe é um imenso retrocesso para a humanidade, o que certamente despertou tantas reações. Para se compreender o valor da Justiça, como um organismo coletivo, que colabora com a evolução moral da humanidade, certamente é preciso ter um mínimo de compreensão, de consciência, de sentimento fraterno. Do contrário a pessoa vai continuar defendendo, para este grave problema que é a violência, as soluções individuais, a justiça com as próprias mãos, os linchamentos.

A humanidade está evoluindo e precisamos continuar neste caminho, um caminho de regeneração, um caminho que exige a construção de valores coletivos, como a Justiça.  Pietro Ubaldi, com muita propriedade ensina:  “Por meio da evolução passa-se da força ao direito, do egoísmo ao altruísmo, da guerra à paz”.

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Um pensamento sobre “Fazer justiça com as próprias mãos: um imenso retrocesso!

  1. A partir do seculo XVIII, com o iluminismo e a Revolução Francesa, os direitos humanos passou a fazer parte da agenda dos países civilizados, e justiça com as próprias mãos e inadmissível e a volta a barbárie.

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