Ciência e Espiritualidade

 

Ciência e Espiritualidade na Fraternidade da Anunciação

As professoras Rejane de Paiva e Maria da Conceição Rodrigues (Ceiça) conduziram o Encontro

“Esta é uma casa de resistência”. Com estas palavras a irmã Pompéia, religiosa paulista, definiu a natureza do Fraternidade da Anunciação, entidade responsável pelo Mosteiro da Anunciação, na cidade Goiás, onde se realizou, entre os dias 12 a 14 de outubro de 2018, o Encontro Ciência e Espiritualidade: desafios de uma nova cosmovisão.

Com 30 participantes, aproximadamente, o Encontro foi conduzido pela professora Maria da Conceição Rodrigues (Ceiça), promotora de Justiça aposentada, graduada em física e psicologia, mestra em Filosofia; e pela religiosa Rejane de Paiva, teóloga, biblista e mestra em Ciências da Religião. Pessoas qualificadas.

No site do Encontro, esta foi a apresentação do curso: “O caminho que vamos trilhar neste encontro partirá ruptura epistemológica imprimida ao conhecimento científico pela Nova Física: termodinâmica, física quântica e teoria da relatividade. Trata-se de uma visão de mundo holística, que convoca o gênero humano ao exercício de sua natureza intrínseca, que é transcendente, e à defesa incondicional da Vida”.

Ciência e Religião

Sem chegar a conclusões definitivas, o seminário tratou do conflito entre a ciência e a religião de forma moderada, optando por uma solução de equilíbrio: de acordo com a nova cosmovisão, detalhada por Ceiça, é possível a convivência entre as duas fontes de conhecimento e saber.

Fazendo uma incursão pela física quântica, a professora Ceiça defendeu a tese segundo a qual os estudos a respeito da consciência constituem hoje um ponto de interesse comum entre a ciência e a religião. “Consciência é a palavra-chave desse encontro”. Outro ponto em comum, segundo a professora Ceiça: tanto a ciência como a religião podem ser consideradas como um “sistema de crenças”.

Para a professora a convivência entre os opostos pode trazer a luz: “a quantidade de consciência disponível para uma pessoa é diretamente proporcional à sua capacidade de administrar a tensão entre os opostos”. Entre outros autores, o seminário examinou textos e documentários de Jung, Joseph Campbell, Teilhard de Chardin e fragmentos do Bhagavad Gita, texto religioso hindu.

De uma maneira geral, chegou-se à conclusão de que a ciência não consegue, ainda, explicar as questões relativas ao ser transcendente, o homem.

Matéria e consciência

O conflito entre a ciência e a religião, a partir dos estudos da física quântica, mudou de patamar e agora o que se discute não está mais fundado na matéria – domínio da física clássica, de Newton – mas sim na consciência, fronteira alcançada pela física quântica. Este é o novo paradigma, ainda em gestação.

Mas, embora não tenham sidos abordados ou indicados durante o curso, existem hoje livros importantes, alguns considerados clássicos, que tratam do tema “ciência e espiritualidade”, com foco nos avanços da física quântica. Vamos citar três.

O primeiro deles é o livro “Quem Somos Nós – A descoberta das infinitas possibilidades de alterar as  realidade diária”, publicado no Brasil em 2007, tendo como organizador o cientista William Arntz. Trata-se de um resumo do documentário americano “What The Bleep do We Know”, em que um grupo de cientistas discute e explica temas como a alteração da realidade, a física quântica e a consciência, entre outros.

O segundo livro que quero mencionar é “O Ponto de Mutação”, de Fritjof Capra, autor do livro “O Tao da Física”. No prefácio da obra, publicada em 1981, Capra justifica o seu interesse no tema: “Os novos conceitos em física provocaram uma profunda mudança em nosso visão do mundo: passou-se da concepção mecanicista de Descartes e Newton para uma visão holística e ecológica, que reputo semelhante às visões dos  místicos de todas as épocas e tradições. (…) Precisamos, pois, de um novo “paradigma” – uma nova visão da realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores”.

O terceiro livro importante nesse área é “O Universo Autoconsciente – Como a consciência cria o mundo material”, do físico indiano Amit Goswami. No livro lançado em 1993, Amit contesta o realismo materialista e afirma ser a consciência, e não a matéria, a base de tudo o que existe.

Jó e a sabedoria de Salomão

A professora Rejane de Paiva, por sua vez, conduziu um belo estudo a respeito de do Livro de Jó, destacando antes, a estrutura da Bíblia e os seus Livros Sapienciais: Provérbios, Jó, Eclesiastes, Eclesiástico e Sabedoria. Com o título “Narrativa mítica de uma jornada de individuação”, professora Rejane falou sobre a sabedoria contida no Livro de Jó e destacou: sabedoria é bom senso; sabedoria é falar pouco.

Anúncios

Acontece entre os dias 1º a 3 de dezembro deste ano, a 89ª Feira do Troca de Olhos d’Água, povoado fica no Município de Alexânia, entre Goiânia e Brasília. Durante a Feira, os visitantes tem a oportunidade de trocar objetos diversos pelo artesanato de Olhos d’Água, conhecido pela originalidade e delicadeza. Clique aqui e leia mais, no blog Última Parada.

O pão de queijo do J. Pereira

Por José Mendonça Teles – O Popular

Você já foi ao J. Pereira? Não, então vá, lá tem pão de queijo quentinho, feito na hora, então vá. Lá tem uma variedade de biscoitos, sucos, cafezinho e o tratamento vip de seu proprietário Hermógenes Pereira. Fica ali na Rua 55, nº 458, no histórico Bairro Popular.

Se o proprietário se chama Hermógenes, onde entra então o Jota? Homenagem ao meu pai José Pereira Cardoso, diz Hermógenes, com o seu jeito alegre e comunicativo. De manhãzinha, os fregueses vão chegando e encostando-se no balcão e os pães de queijo, quentinhos, vão sendo servidos, sem atropelo, e o proprietário cumprimentando a todos com sorriso de seja bem-vindo. Não há mesas, o atendimento é no balcão, onde os fregueses vão se ajeitando, formando rodinhas e sempre atentos para não queimarem a mão nem a boca, pois os biscoitos chegam sapecando.

Conheci o J. Pereira através de meu saudoso amigo e jornalista Domiciano de Faria, que me levou, juntamente com meu irmão Gilberto, para conhecer o tão falado J. Pereira. A partir de então, mesmo morando na Rua 89, no Setor Sul, e lecionando na Católica, sempre que possível fazia meu desjejum no J. Pereira. Não há como desviar o caminho, em poucos minutos já estava lá degustando os saborosos pães de queijo.

Desde a primeira vez que fui, chamou-me a atenção os inúmeros quadros fixados na parede contendo reportagens de jornais sobre a casa e fotos do glorioso Dragão Campineiro, isto mesmo, Hermógenes é torcedor apaixonado do Atlético Clube Goianiense, meu clube de coração, onde joguei e marquei meus golzinhos.

Daí minha perfeita interação com o Hermógenes, que é mineiro de Ponte Nova, casado, tendo seis filhos e duas netas. A fama dos pães de queijo de J. Pereira nesses 46 anos, sempre funcionando no mesmo lugar, ultrapassou os domínios do Bairro Popular e suas filiais já são seis, esparramadas por vários cantos de Goiânia, dirigidas por seus familiares.

Vá, de manhã, ao J. Pereira da Praça Tamandaré, na da Rua 136, está sempre lotada de fregueses. O J. Pereira na Rua 55 fez história, pessoas do mundo político passaram por lá, como os ex-governadores Iris Rezende Machado, Otávio Lage de Siqueira, Ary Valadão, Henrique Santillo e o deputado federal Ronaldo Caiado e tantos outros, e tantos escritores, professores que Hermógenes vai citando de memória.
Este cronista, enquanto vai soprando o pão de queijo, tentando esfriá-lo, observa a clientela, funcionários públicos, empresários, comerciários, todos se ajeitando em torno do balcão e fazendo o pedido, enquanto Hermógenes, sempre alegre e brincalhão, vai atendendo sua enorme e tradicional freguesia

O Popular – 16/07/2010