“Coringa”, um filme político, surpreendente!

 Coringa,  filme americano, de 2019, dirigido por Todd Phillips e estrelado por Joaquin Phoenix.

Além dos seus aspectos estéticos, que o credenciam para vários prêmios no Oscar, entre os quais, na minha opinião, o de melhor filme e o de melhor ator, o filme Joker (no Brasil, Coringa) tem um outro lado muito interessante, que a sua visão política.

O lado humano de um ser marginal

Veja bem. Depois de mais de 70 anos exaltando o Batman, o Cavaleiro das Trevas, um policial que está sempre em defesa do sistema, do capitalismo e dos homens de bem, o cinema americano, surpreendentemente, inverte esta lógica e mostra o lado humano de um ser periférico, de um ser tido como marginal, na verdade uma pessoa marginalizada pelo sistema.

Como bem ressaltou o sociólogo Jessé de Souza, (veja aqui) nesta luta entre o bem e o mal, desta vez foi feita a genealogia do “homem mau, do bandido, do marginal”. E, de forma surpreendente, como já ressaltei, no fundo do “homem mau” encontramos um ser humano comum, doente, sofrido e humilhado como milhares de outros homens comuns que compõe a nossa sociedade. O filme deu voz a estes humilhados e ofendidos, como diria Dostoiévski. Concluindo: um filme com uma narrativa política surpreendente e uma visão humana, demasiadamente humana.