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Cultura é Poder: reflexões sobre o papel da cultura na sociedade brasileira, de Jandira Feghali

Resenha do livro Cultura é Poder: Reflexões sobre o papel da cultura no processo emancipatório da sociedade brasileira, de Jandira Feghali

O livro Cultura é Poder: Reflexões sobre o papel da cultura no processo emancipatório da sociedade brasileira, de Jandira Feghali, parte de uma tese central clara e contundente: a cultura não pode ser compreendida como um elemento secundário da vida social, restrito ao campo das artes ou do entretenimento. Ao contrário, ela se apresenta como um campo estratégico de poder, capaz de moldar identidades, orientar comportamentos, disputar narrativas e influenciar os rumos da sociedade. Nesse sentido, a cultura é afirmada simultaneamente como direito fundamental, patrimônio vivo, instrumento político e vetor de desenvolvimento.

Ao longo da obra, a autora desenvolve a ideia de que a cultura constitui um verdadeiro território de disputa política. Não se trata de um espaço neutro, mas de um campo atravessado por conflitos ideológicos, no qual diferentes projetos de sociedade se confrontam. A cultura pode servir tanto à emancipação quanto à dominação, dependendo das forças que a orientam. Ao enfatizar a existência de uma permanente disputa por valores, símbolos e memórias, Feghali aproxima-se de tradições críticas que enxergam na cultura a base da construção da hegemonia.

Essa reflexão ganha densidade quando a autora revisita a formação histórica da sociedade brasileira, marcada por processos de colonização, exclusão e apagamento cultural. A invisibilização de matrizes indígenas e afro-brasileiras é apresentada como um dos traços estruturantes dessa trajetória. Nesse contexto, a cultura emerge não apenas como herança, mas como espaço de resistência e reconstrução da identidade nacional, capaz de enfrentar desigualdades históricas e promover reconhecimento social.

Outro eixo importante da obra reside na articulação entre cultura e economia. Feghali destaca o papel da cultura como setor estratégico para o desenvolvimento, especialmente no âmbito da chamada economia criativa. Ao gerar emprego, renda e dinamismo territorial, a cultura ultrapassa a dimensão simbólica e se insere de forma concreta na estrutura produtiva. Daí a importância de políticas públicas consistentes, capazes de democratizar o acesso, fomentar a produção cultural e integrar a cultura aos projetos de desenvolvimento nacional.

A ideia de emancipação ocupa posição central na argumentação da autora. O acesso à cultura é apresentado como um fator decisivo para a formação da consciência crítica e para o fortalecimento da cidadania. Ao reconhecer e valorizar suas próprias expressões culturais, indivíduos e coletividades ampliam sua capacidade de intervenção no mundo. A cultura, nesse sentido, não apenas reflete a sociedade, mas contribui ativamente para transformá-la, permitindo que grupos historicamente marginalizados reconquistem voz, visibilidade e protagonismo.

Do ponto de vista formal, o livro adota um estilo ensaístico, marcado por uma linguagem direta e acessível. Longe do rigor acadêmico tradicional, a obra dialoga com a experiência prática da autora no campo da gestão pública e da política institucional. Essa característica confere ao texto um tom engajado e propositivo, voltado não apenas à reflexão, mas também à intervenção no debate público.

Sob uma perspectiva crítica, é possível identificar na obra importantes virtudes, como a amplitude da abordagem e a capacidade de articular dimensões simbólicas, políticas e econômicas da cultura. Ao mesmo tempo, o texto assume um posicionamento ideológico claro, o que reduz o espaço para contrapontos mais desenvolvidos e para um aprofundamento teórico mais sistemático, sobretudo quando comparado a obras clássicas do pensamento social.

Em síntese, Cultura é Poder pode ser compreendido como um verdadeiro manifesto político-cultural, que busca recolocar a cultura no centro do projeto de país. Mais do que oferecer uma análise descritiva, o livro propõe uma tomada de posição: defender a cultura como direito, como política pública estruturante e como condição indispensável para a construção de uma democracia mais justa, inclusiva e efetiva.

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Atualização do Fundo Municipal de Cultura em Anápolis

Apresentação no Teatro Municipal de Anápolis: Reinaldo Reis e convidados, em 1/4/26

A cultura ocupa, cada vez mais, um lugar central nas políticas públicas contemporâneas. Não apenas como expressão artística ou manifestação simbólica, mas como vetor de desenvolvimento social, econômico e humano. Nesse contexto, Anápolis vive um momento importante: a atualização da legislação que regula o seu Fundo Municipal de Cultura.

Criado pela Lei Complementar nº 259, de 2011, o Fundo Municipal de Cultura já desempenhou papel relevante no financiamento de projetos culturais ao longo dos últimos anos. Por meio dele, artistas, produtores e coletivos culturais puderam acessar recursos públicos e desenvolver iniciativas que contribuíram para a vida cultural da cidade.

Entretanto, o cenário das políticas culturais no Brasil mudou significativamente na última década. Em especial, a aprovação, em 2024, de duas leis fundamentais — o marco do Sistema Nacional de Cultura e o novo regime jurídico do fomento cultural — trouxe novos instrumentos, novas diretrizes e uma visão mais moderna sobre a gestão da cultura.

Diante desse novo contexto, a atualização da legislação municipal não é apenas desejável: ela é necessária. Em Anápolis a Secretaria de Cultura, o Conselho Municipal de Cultura, a Comissão de Cultura da Câmara de Vereadores e diversas entidades culturais da cidade, estão mobilizadas para atualizar a legislação municipal do setor cultural e garantir uma maior participação da cidade neste momento cultural brasileiro.

O projeto mais avançado nesta discussão, está em elaboração na Secretaria de Cultura e busca justamente alinhar o Fundo Municipal de Cultura às diretrizes mais recentes da política cultural brasileira. Isso significa modernizar os mecanismos de financiamento, ampliar as áreas culturais atendidas e fortalecer a transparência na aplicação dos recursos públicos.

Entre os avanços propostos, destaca-se a incorporação de novos instrumentos de fomento, mais adequados à realidade dos agentes culturais. A legislação passa a reconhecer, de forma mais clara, a diversidade de formas de atuação no campo cultural — incluindo artistas independentes, coletivos, grupos tradicionais e iniciativas ligadas à economia criativa. Por sugestão do Conselho, o Fundo de Cultura deverá ser destinado exclusivamente ao patrocínio dos artistas locais, por meio de editais.

Outro ponto importante é o fortalecimento da governança e da participação social. A proposta reafirma o papel do Conselho Municipal de Cultura como instância de acompanhamento e contribuição para as políticas públicas, reforçando o caráter democrático da gestão cultural.

Também merece destaque a ampliação das linguagens culturais contempladas. Além das áreas tradicionais, a nova proposta incorpora expressões contemporâneas como cultura digital, cultura urbana e novas mídias, refletindo as transformações do cenário cultural atual.

Mas talvez o ponto mais estruturante da proposta seja a busca por maior estabilidade no financiamento da cultura. A ideia de estabelecer um piso mínimo de investimento no setor cultural – 1% do orçamento municipal, conforme proposta do Conselho de Cultura – não se apresenta como imposição, mas como um instrumento de planejamento. Trata-se de garantir previsibilidade e continuidade às políticas culturais, permitindo que programas e projetos possam ser desenvolvidos com maior segurança.

É importante destacar que o projeto em discussão resulta de um processo de diálogo institucional. A proposta inicial foi elaborada pela Secretaria Municipal de Cultura e, posteriormente, analisada pelo Conselho Municipal de Cultura, que apresentou contribuições com o objetivo de aperfeiçoar o texto e alinhá-lo às diretrizes nacionais.

Esse diálogo entre poder público e sociedade civil é, em si, um dos pilares das políticas culturais contemporâneas.

A atualização da Lei do Fundo Municipal de Cultura, portanto, não é apenas uma mudança normativa. É um passo importante para consolidar uma política cultural mais moderna, mais democrática e mais eficiente.

Em uma cidade que cresce, se diversifica e se transforma, investir em cultura é também investir em identidade, em memória e em futuro.

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Quem conta a história do Brasil?

Por Luiz Carlos Mendes – Advogado, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Anápolis (GO)

A pergunta “quem conta a história do Brasil?” parece simples, mas conduz a uma reflexão profunda sobre a própria natureza da historiografia. A história de um país não é escrita por uma única pessoa ou instituição. Ela é o resultado de um diálogo permanente entre diferentes narradores, fontes, interpretações e tempos históricos.

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Antiga sede da Câmara Municipal de Anápolis, construída na década de 1960 durante a gestão do prefeito Henrique Santillo. O edifício, que por anos simbolizou a vida política da cidade, acabou demolido e substituído por uma garagem. Episódios como este revelam que a história não se perde apenas nos livros esquecidos ou nos arquivos abandonados — ela também desaparece quando a própria cidade deixa de preservar os lugares que materializam a sua memória.

Durante muito tempo, acreditou-se que a história era escrita sobretudo pelos grandes cronistas, pelos intelectuais do Estado ou pelos autores de obras monumentais sobre o passado nacional. No século XIX, por exemplo, instituições como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro tiveram papel central na tarefa de organizar e narrar a história da nação, reunindo documentos, estimulando pesquisas e publicando estudos que buscavam definir as origens e a identidade do Brasil.

Essas instituições foram fundamentais para a formação de uma tradição historiográfica brasileira. Inspiradas no modelo europeu das academias históricas, reuniram políticos, juristas, militares, literatos e estudiosos interessados em compreender o passado nacional. A história, naquele contexto, era vista também como instrumento de construção da identidade e da unidade do país.

Com o desenvolvimento das universidades ao longo do século XX, a escrita da história passou a ser cada vez mais associada ao trabalho dos historiadores profissionais. Nos cursos de graduação, mestrado e doutorado, a pesquisa histórica ganhou métodos mais rigorosos, baseados na crítica documental, no debate teórico e na constante revisão das interpretações. A universidade tornou-se, assim, um espaço privilegiado de produção historiográfica.

Ao mesmo tempo, a história também é narrada por autores que dialogam com o grande público. Escritores como Laurentino Gomes ou Lira Neto demonstram que é possível transformar pesquisas históricas complexas em narrativas acessíveis e envolventes. Esses autores desempenham um papel importante na popularização da história, aproximando o público leitor de temas que, muitas vezes, permanecem restritos ao meio acadêmico.

Mas a história não é contada apenas nos livros ou nas universidades. Ela também se constrói nos arquivos, nos museus e nas instituições de memória que preservam documentos, fotografias, cartas, jornais e testemunhos do passado. Sem esse patrimônio documental, não haveria matéria-prima para a investigação histórica.

Nesse contexto, os institutos históricos e geográficos continuam desempenhando uma função singular. Ao lado das universidades, eles atuam como guardiões da memória regional e local, preservando documentos, incentivando pesquisas e promovendo debates sobre a história das cidades e das regiões. Instituições como o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e o Instituto Histórico e Geográfico de Anápolis participam desse esforço coletivo de preservação e reflexão histórica, valorizando experiências, personagens e acontecimentos que muitas vezes não aparecem nas grandes narrativas nacionais.

Por fim, é importante reconhecer que a história também é construída pela própria sociedade. Memórias familiares, tradições culturais, testemunhos orais, movimentos sociais e experiências coletivas contribuem para ampliar o horizonte da historiografia contemporânea. Hoje se reconhece cada vez mais que o passado não pertence apenas aos especialistas: ele é parte da vida social e cultural de todos.

Assim, a história do Brasil é contada por muitos narradores. Historiadores, escritores, pesquisadores, instituições de memória, professores e comunidades participam, cada qual à sua maneira, da construção dessa narrativa plural. A história não é uma voz única, mas um coro de interpretações que se renova a cada geração.

Contar a história do Brasil, portanto, não é apenas narrar o passado. É também compreender como cada época pergunta novamente ao tempo: quem somos, de onde viemos e que memória queremos preservar para o futuro.

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Conselho Municipal de Cultura de Anápolis tem novos membros para o biênio 2026/2027

Reunião do Conselho Municipal de Cultura, realizada em 10 de janeiro de 2026, com a presença dos Conselheiros do período de 2024/2025 e dos Conselheiros eleitos para o período de 2026/2027.

A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Anápolis realizará, no dia 4 de fevereiro de 2026 (quarta-feira), a cerimônia oficial de posse dos novos integrantes do Conselho Municipal de Cultura (CMC), representantes da sociedade civil eleitos para o biênio 2026/2027. O evento acontecerá às 18h30, no Auditório do Teatro Municipal de Anápolis, localizado na Avenida Brasil Sul, nº 200, Setor Central.

A solenidade marca o início de um novo ciclo de atuação do colegiado e reafirma o compromisso com a participação social, a transparência e a legitimidade democrática na condução das políticas culturais do município. Instituído pela Lei Municipal nº 331/2004, o Conselho Municipal de Cultura exerce papel estratégico na formulação, acompanhamento e fiscalização das políticas públicas culturais, além de atuar na gestão do Fundo Municipal de Cultura (FMC).

Os novos conselheiros foram nomeados pelo prefeito Márcio Aurélio Corrêa, por meio do Decreto Municipal nº 52.444, de 17 de dezembro de 2025. A escolha ocorreu em eleição pública, realizada no dia 11 de dezembro de 2025, contemplando representantes de oito comissões temáticas do setor cultural.

Conselheiros empossados por área de atuação

I – Artes Cênicas e Música:
Sérgio Ferreira Inocêncio e Mariana de França Bueno

II – Artes Visuais:
Rodrigo Nascimento Gonçalves e Geraldo Antônio Lopes Monteiro

III – Artes Audiovisuais:
Eunice Maria das Dores Batista e Gustavo Luiz da Silva

IV – Patrimônio Cultural:
Euremes Moreira de França e Charryra Sahium Ribeiro Santos

V – Livro e Literatura:
Luiz Carlos Duarte Mendes e Douglas Elias dos Santos

VI – Ciência, Tecnologia e Educação:
Elza Gabriela Godinho Miranda (recondução) e Almir Pinto

VII – Eventos de Rua:
Débora dos Santos Franco (recondução) e Ana Amélia da Silva

VIII – Instituições da Sociedade Civil e Movimentos Sociais:
Luiz Antônio de Souza Pacheco e Romario Silva Ratkiewicz

Atribuições do Conselho Municipal de Cultura

Conforme estabelece a Lei Municipal nº 331/2004, o Conselho Municipal de Cultura de Anápolis atua de forma direta na elaboração, execução e fiscalização da política cultural do município, funcionando como um espaço institucional de diálogo entre o poder público e a sociedade civil.

Entre suas principais competências, destacam-se:

  • Gestão financeira e fomento cultural: participação na gestão do Fundo Municipal de Cultura (FMC), contribuindo para o financiamento de projetos culturais e assegurando a transparência na aplicação dos recursos públicos;
  • Representatividade e participação social: garantia da representação dos diversos segmentos culturais e fortalecimento da participação popular nos processos decisórios;
  • Promoção do diálogo cultural: realização de fóruns, debates e discussões sobre demandas, desafios e diretrizes do setor cultural;
  • Planejamento estratégico: atuação alinhada ao Plano Municipal de Cultura e à Lei Orgânica do Município, com foco no desenvolvimento cultural de longo prazo.

O Conselho Municipal de Cultura consolida-se, assim, como um instrumento fundamental de governança e controle social, promovendo uma gestão cultural democrática, participativa e comprometida com a diversidade cultural de Anápolis.

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Extinção de execuções fiscais: a Resolução CNJ nº 547/2024

O Conselho Nacional de Justiça edita resolução para reduzir o número de execuções fiscais.

No Brasil, tramitam atualmente milhões de execuções fiscais, representando uma parcela expressiva da carga processual do Judiciário. Segundo dados recentes, cerca de 26,4 milhões de execuções fiscais estavam pendentes em 2023, correspondendo a 31% de todos os processos em andamento e 59% das execuções existentes no país.

Esse volume impacta não apenas o funcionamento da Justiça, mas também a vida dos cidadãos, muitos dos quais ficam com seus nomes negativados, impedidos de manter contas bancárias ou registrar bens — transformando-se, na prática, em “cidadãos de segunda classe”.

Com o objetivo de enfrentar esse cenário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem adotado medidas para racionalizar a cobrança judicial, especialmente nos casos de baixa efetividade. Entre essas iniciativas, destaca-se a Resolução CNJ nº 547/2024, que autoriza a extinção de execuções fiscais com valor de até R$ 10 mil, desde que estejam sem movimentação útil por mais de um ano e sem localização de bens penhoráveis. Sua aplicação acontece principalmente nas execuções fiscais de baixo valor, promovidas por Municípios, relacionadas com a cobrança de IPTU.

O Escritório de Advocacia Duarte Mendes tem obtido êxito na aplicação dessa norma, promovendo a extinção de execuções fiscais nos termos da Resolução CNJ 547/2024. Trata-se de uma alternativa eficiente e legítima para encerrar cobranças judiciais ineficazes, promovendo alívio tanto para o Judiciário quanto para o cidadão executado.

É importante destacar que a extinção da execução é apenas uma das estratégias possíveis de defesa do devedor. O ordenamento jurídico prevê diversos mecanismos que garantem o contraditório, a ampla defesa e a legalidade na cobrança da dívida pública. 

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIAS

Em Goiás o assunto está pacificado e o Tribunal de Justiça (TJGO) tem rejeitado os recursos interpostos pelos Municípios, que se insurgem contra o alcance da norma editada pelo Conselho Nacional de Justiça, em um movimento para manter as execuções fiscais, ainda que de baixo valor. Veja, a título de exemplo, a decisão adotada no processo 5684305-92.2019.8.09.0160, julgado em 11/07/2025, com a aprovação da seguinte Tese de julgamento:

1. É legítima a extinção da execução fiscal de pequeno valor pela ausência de interesse de agir, quando não demonstradas tentativa de conciliação ou protesto do título executivo, conforme o Tema 1.184 do STF e a Resolução CNJ n. 547/2024.

Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 37, caput; CPC, arts. 1.021, § 2º e § 4º, e 489; Resolução CNJ nº 547/2024. Jurisprudência relevante citada: STF, Tema nº 1.184, Plenário, j. 15.12.2023; TJGO, AI 5409538-88.2024.8.09.0064, Rel. Des. Elizabeth Maria da Silva, j. 08.07.2024; TJGO, AC 5272870-03.2018.8.09.0006, Rel. Des. Nelma Branco Ferreira Perilo, j. 15.07.2024.

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Escritório de Advocacia Duarte Mendes

O Escritório de Advocacia Duarte Mendes começou suas atividades na década de 50, quando o advogado Cláudio Mendes se formou em Direito na Universidade Federal de Goiás. O escritório focou inicialmente em advocacia trabalhista e depois na área imobiliária. Um dos primeiros trabalhos foi a aprovação do Loteamento Jardim Planalto, que ainda é da família.

Com o falecimento do advogado Cláudio Mendes, em 1965, o escritório paralisou suas atividades, somente retornando ao trabalho na década de 70, quando a advogada Maristela Duarte Mendes concluiu o curso de Direito na Faculdade de Direito de Anápolis e retomou as atividades do escritório, agora funcionando em sede própria, na Rua Doutor Gensérico, 252, em Anápolis (GO).

Atualmente, o escritório está sob a condução dos advogados Luiz Carlos Duarte Mendes e Luiz Roberto Duarte Mendes, contando ainda com o trabalho dos advogados Janaína Mendes, em Anápolis, e Cláudio Mendes Neto e Pedro Ivo Duarte Mendes, em Brasília.

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Com o vaqueiro Mariano

“Narrar é resistir” (G. Rosa)

O conto Com o vaqueiro Mariano, de Guimarães Rosa (1908 – 1967), foi dado a público, em uma primeira versão, em três partes, no jornal Correio da Manhã, em 26 de outubro de 1947. O livro foi publicado inicialmente em 1952, pela Edições Hipocampo e atualmente o texto está incluído no livro Estas estórias, volume publicado postumamente, em 1969, pela Livraria José Olympio Editora. A edição mais recente foi publicada pela Global Editora, em 2020. Na foto Guimarães Rosa no sertão mineiro.

O trabalho foi o resultado das anotações e registros realizados pelo escritor, durante viagem que fez ao Pantanal Mato-grossense, no mês de julho de 1947, onde conheceu e entrevistou o vaqueiro José Mariano da Silva, na Fazenda Firme, no distrito de Nhecolândia. Embora incluído em um livro de contos, Com o vaqueiro Mariano não é propriamente um conto, uma ficção; é antes uma entrevista-retrato, uma reportagem poética, um relato de viagem.

A publicação da entrevista no jornal Correio da Manhã, na edição de 26 de outubro de 1947, comprova a data da viagem ao Pantanal Mato-grossense, realizada no mês de julho dquele ano, como indica o autor na abertura do conto. Esta observação é importante em razão de inúmeros registros equivocados, encontrados em artigos e biografias publicadas na internet e que indicam o ano de 1952 com sendo a data desta viagem ao Mato Grosso.

A alma dos bois


Carreiro de boi, uma profissão em extinção.

Na abertura da entrevista, o escritor mineiro indica as referências geográficas do acontecimento e apresenta o vaqueiro Mariano, – “meu amigo” – com quem conversou “para aprender mais, sobre a alma dos bois”.

Em julho, na Nhecolândia, Pantanal de Mato Grosso, encontrei um vaqueiro que reunia em si, em qualidade e cor, quase tudo o que a literatura empresta esparso aos vaqueiros principais. Típico, e não um herói, nenhum. (…) Mas denso, presente, almado, bom-condutor de sentimentos, crepitante de calor humano, governador de si mesmo; e inteligente. Essa pessoa, este homem, é o vaqueiro José Mariano da Silva, meu amigo. Começamos por uma conversa de três horas, à luz de um lampião, na copa da Fazenda Firme. Eu tinha precisão de aprender mais, sobre a alma dos bois, e instigava-o a fornecer-me factos, casos, cenas. Enrolado no poncho, as mãos plantadas definitivamente na toalha da mesa, como as de um bicho em vigia, ele procurava atender-me”.

Rosa ouve o vaqueiro, em um primero encontro de três horas. Mariano contou da alma dos bois e do seu trabalho de vaqueiro, dos perigos que passou, das horas sofridas. Principiou falando do boi Carocongo, do garrote Guabirú (“que quando chegava em casa, de tardinha, berrava nove vezes e só por isso não o matavam”. Conhecedor da alma e dos sentimentos dos bois, Mariano observou: ” – Tem boi que pode tomar ódio de uma pessoa….”. Outros, como o boi preto, “em noite muito preta entende o cochiço da gente…”

O vaqueiro falou da onça parda, que come bezerro no campo. Dos rebanhos insulados, apertados pela inundações do Pantanal. Do touro jaguarê que, humilhado pelos homens, “morreu lá, de raiva, de vergonha, de tristeza…”. Contou do dia em que foi atacado por um touro enorme, um vulto que vinha saindo da nuvem vermelha, de pó de terra. Falou da travessia de uns bois no Rio Negro. “Pois foi aí, num rasgado, que eu espiei um boi ficar louco, perto de mim, de jeito medonho. Piranha tinha dado nele!”

Esta primeira parte da entrevista termina com uma narrativa dramática. Mariano fala do dia em que a boiada, uma tropa de trezentas rêses, ficou cercada pelo fogo. “Mas, de pancada, tudo parou: gritaram, adiante, e eu vi o fogaréu. Aí era fumaça, mesmo, e as lavaredas correndo, feio, em nossa frente, numa largura enorme, vindo p’ra cima de nós. Era uma queimada…”

Inspiração: as viagens pelo sertão


Guimarães Rosa, diplomata e escritor, foi um mestre da ficção, escrevendo contos e romances. Descreveu como poucos o sertão brasileiro, com sua linguagem singular e mágica. Uma linguagem calibrada, nas palavras do poeta Manoel de Barros. Para compor o seu trabalho literário, Rosa fez pesquisas de campo, foi conhecer os cenários e seus personagens no mundo real, lá no sertão. Assim, realizou muitas viagens pelo Brasil e pelo exterior e dessas viagens resultaram anotações, muitas comprovadamente utilizadas em suas criações literárias, conforme anota Cecília de Lara (IEB-USP), no artigo João Guimarães Rosa na França: anotações do diário de Paris, publicado em 1989 (1).

Pelo interior do Brasil, o escritor viajou, em 1947, para Paraopeba e Cordisburgo, sua terra natal, e, no mesmo ano, conheceu o Pantanal mato-grossense. Em 1952 viajou para a fazenda Sirga, na cidade de Tres Marias, localizada na fronteira de Minas com a Bahia; no mesmo ano esteve em Caldas do Cipó (Bahia), onde, como representante do Itamaray, organizou uma visita do presidente Getúlio Vargas à cidade e participou de uma “concentração de vaqueiros e vaquejadas”.

Guimarães Rosa e Manoel de Barros: um encontro notável (1947)

Além da entrevista com o vaqueiro Mariano, na Fazenda Firme, no Pantanal Mato-greossense, Rosa teve um outro encontro memorável: foi recebido e teve como uma espécie de guia – que o iniciou nos mistérios do Pantanal -, o poeta Manoel de Barros. E o que revela Paulo Ribeiro, no ensaio O livro que surgiu de um encontro entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros, publicado no site São Paulo Review, dedicado às artes e literatura no Brasil.

Conduzindo uma boiada no sertão mineiro (1952)

Em 1952 Rosa foi para a cidade mineira de Tres Marias, onde acompanhou uma boiada – conduzida pelo vaqueiro Manuelzão – numa viagem de 240 quilômetros pelo sertão de Minas Gerais, desde Sirga até Araçaí, ao longo de dez dias. No ensaio Há 70 anos, Guimarães Rosa fazia anotações sobre uma boiada, publicado no JORNAL DA USP, Mariana Carneiro descreve a viagem de Rosa e o seu cuidado com as anotações e registros:

Enquanto seguia com o rebanho em sua lenta marcha, Rosa registrou o que via em cadernetas penduradas no pescoço, que conservaram suas anotações em forma de rabiscos e comentários soltos. Os escritos, que descrevem com minúcias os cenários e situações vividas naquela ocasião, foram depois datilografados e serviram de base para duas das mais importantes obras do escritor, Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas, ambas lançadas em 1956.

Com Getúlio Vargas, entre vaqueiros e vaquejadas

Em 1952, Guimarãaes Rosa, diplomata de carreira, esteve em Caldas do Cipó (Bahia), onde, como representante do Itamaray, organizou uma visita do presidente Getúlio Vargas à cidade e participou de uma “concentração de vaqueiros e vaquejadas”. O presdiente e sua comitiva foram à cidade inaugurar o Grande Hotel Caldas do Cipó e visita foi resitrda por Gustvo Castro, no texto Cartas de Guimarães Rosa a Pedro Barbosa (1934–1967), publicaçada no site da Revista de Estudos Humanísticos (DIACRÍTICA):

Em 23 de junho (1952), convidado pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand, Rosa cuidou, como representante do Itamaraty, do cerimonial que receberia Getúlio Vargas na pequena cidade baiana. Getúlio viajou ao local para inaugurar o Grande Hotel Caldas do Cipó, uma estância hidromineral, que Chateaubriand decidiu construir para incrementar o turismo no agreste baiano. Na ocasião, Rosa foi encarregado de liderar a ‘guarda presidencial’, em que vaqueiros encourados marcharam em escolta ao carro presidencial. Uma exigência feita por Chateaubriand era a de que todos os presentes se vestissem de vaqueiros. Assim foi que, desde o Presidente da República, passando pelos ministros, até o chefe de cerimonial, todos foram paramentados de chapéu de couro, guarda-peito, jaleco, gibão, calças e polainas, saindo em desfile pela minúscula Caldas do Cipó. Segundo contou a Barbosa, Rosa montou um vistoso cavalo paraíbano (2).

Guimarães Rosa


Considerado o maior escritor brasileiro do século 20, – segundo o JORNAL DA USP (3)- Guimarães Rosa produziu contos, novelas e romances e é conhecido pelo singular trabalho com a linguagem. O autor mineiro, que fez parte da terceira fase do modernismo brasileiro, construiu novos vocábulos, reinventando a língua portuguesa e recuperando a linguagem poética, rompendo com as técnicas tradicionais do romance.

Guimarães Rosa trouxe o regionalismo brasileiro  novamente ao centro da literatura nacional, por meio de inúmeras viagens de campo que fizeram da sua obra uma fusão de arcaísmos, cultura popular e mundo erudito. Tendo como cenário as localidades rurais, o escritor utiliza os espaços geográficos para desenvolver as narrativas e seus personagens. 

Referências


  1. LARA, Cecília de. Joao Guimarães Rosa na França: anotações do diário de Paris. Travessia, v. 16-8, p. 221-233, 1989. Acesso em: 20 maio 2024
  2. DIACRITICA – Revista do Centro de Estudos Humanísticos – Vol. 36, n.º 3, 2022, pp. 82–101. DOI: doi.org/10.21814/diacritica.5098
  3. MENDES, Lou. Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Conversa_de_bois
  4. Jornal da USP – https://jornal.usp.br/

Bibliografia


ROSA, Guimarães. Estas histórias. São Paulo : Global Editora, 2020, p.. 79-110.

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As melhores aberturas: “A metamorfose”, de Kafka.

Um inseto monstruoso.

A literatura nos oferece inúmeros prazeres e um deles é a leitura das primeiras linhas de cada livro, as suas aberturas. Nessa série de publicações vamos selecionar algumas aberturas de obras clássicas, começando pela novela “A metamorfose”, de Franz Kafka, em que o escritor narra, nas dez primeiras linhas, a inusitada situação do personagem Gregor Samsa, que acorda de “sonhos intranquilos” e se vê transformado em um inseto monstruoso.

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos,  encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como uma couraça e, ao se levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos”. (Kafka, Franz. – Essencial Franz Kafka (A Metamorfose, p. 209). Penguin Classics – Companhia das Letras, 2011)

O início da novela A Metamorfose é, segundo o professor Tomaz Amorim, “uma das aberturas de texto mais importantes da história da literatura”. Mas Kafka tem outras aberturas impactantes. No livro O Processo, por exemplo, a abertura narra a detenção do bancário Joseph K., o que dá início a uma angustiante e infrutífera peregrinação por sufocantes labirintos judiciais. “Alguém certamente havia caluniado Josef K, pois numa manhã ele foi detido sem ter feito mal algum“.

Na Carta ao pai, Kafka escreve: “Querido pai. Tu me perguntaeste recentemente por que afirmo tem medo de ti”.

KAFKA

Quase desconhecido em vida, o autor de O Processo, Na colônia penal, A metamorfose e outras obras-primas da prosa universal é considerado hoje – ao lado de Proust e Joyce – um dos maiores escritores do século XX.

Modesto Carone, escritor e tradutor da obra de Kafka, publicou a seguinte biografia do escritor tcheco:

“Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, na cidade de Praga, Boêmia (hoje República Tcheca), então pertencente ao Império  Austro-Húngaro. Era filho mais velho de Hermann Kafka, comerciante judeu, e de sua esposa Julie, nascida Löwy. Estudou em sua cidade natal, formando-se em direito em 1906. Trabalhou como advogado, a princípio na companhia particular Assicurazioni Generali e depois no Instituto de Seguros contra Acidentes de Trabalho. Duas vezes noivo da mesma mulher, Felice Bauer, não se casou. Em 1917, aos 34 anos de idade, sofreu a primeira hemoptise de uma tuberculose que iria matá-lo sete anos mais tarde.

Alternando temporadas em sanatórios com o trabalho burocrático, nunca deixou de escrever, embora tenha publicado pouco e, já no fim da vida, pedido inutilmente ao amigo Max Brod que queimasse seus escritos. Viveu praticamente a vida inteira em Praga, exceção feita ao período de novembro de 1923 a março de 1924, passado em Berlim, longe da presença esmagadora do api, que não reconhecia a legitimidade de sua carreira de escritor.

A maior parte de sua obra – contos, novelas, romances, cartas, diários, todos escritos em alemão – foi publicada postumamente. Kafka faleceu em um sanatório perto de Viena, Áustria, no dia 3 de junho de 1924, um mês antes de completar 41 anos de idade. Seu corpo foi enterrado no cemitério judaico de Praga. Quase desconhecido em vida, o autor de O Processo, Na colônia penal, A metamorfose e outras obras-primas da prosa universal é considerado hoje – ao lado de Proust e Joyce – um dos maiores escritores do século XX.

Livros e contos de Franz Kafka

Cenas de um Casamento no Campo (1907)
Considerações (1908)
Aeroplano em Brescia (1909)
Amerika (1910,1927)
O Veredicto (1912)
A Metamorfose (1912, 1915)
A Sentença (1912, 1916)
Meditação (1913)
Contemplação: O Foguista (1913)
Diante da Lei (1914, 1915)
A Colônia Penal (1914, 1919)
O Processo (1914,1925)
Um Relatório para a Academia (1917)
A Preocupação de um Pai de Família (1917)
A Muralha da China (1917, 1931)
Carta ao Pai (1919)
Um Médico Rural (1919)
Poseidon (1920)
Noites (1920)
Sobre a Questão das Leis (1920)
Primeiro Sofrimento (1921)
Cartas a Milena (1920, 1923)
Investigações de um Cão (1922)
Um Artista da Fome (1922, 1924)
O Castelo (1922, 1926)
Uma Pequena Mulher (1923)
A Construção (1923)
Josefina, a Cantora ou O Povo dos Ratos (1924)
Sonhos

Referências

  • Anders, Günther. Kafka: pró & contra. Tradução, posfácio e notas: Modesto Carone. São Paulo, Cosacnaify.
  • Carone, Modesto. Essencial Fraz Kafka – seleção, introdução e tradução de Modesto Carone. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2011.
  • _____ Lição de Kafka. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
  • Kafka, Franz. O processo. Traduão e posfácio de Modesto Carone. Rio de Janeiro, O Globo, 2003
  • _____. Carta ao pai. Tradução de Marcelo Backes, Porto Alegre: L&PM, 2009
  • Konder, Leandro. Kafka – Vida e Obra. Rio de Janeiro: Edotora Paz e Terra, 1979.

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Lendo “O Banquete”, de Platão

Temos um grupo de leitura, em atividade há vários anos, e que neste momento está se dedicando à leitura do livro “O Banquete”, de Platão. Depois de navegar por muitos anos no mundo do Pathwork, com a escritora Eva Pierrakos, vamos agora fazer um estudo filosófico, com Platão. Uma mudança necessária, que vai ampliar os horizontes do grupo.

O Grupo do Livro, em 2023: Cristina, Marilda, Nilza Marta, Cidinha, Eurípedes, Elzira, Larice, Karina e Luiz Carlos.

O BANQUETE

O Banquete, segundo a apresentação da Editora 34, “é um dos diálogos mais célebres de Platão (428-347 a.C.) e, junto com o Fedro, trata da natureza multifacetada do Amor. Ambientado durante um jantar oferecido pelo poeta trágico Agatão, em comemoração à vitória que obtivera num festival dramático, o Banquete põe em cena Sócrates, o médico Erixímaco, o comediógrafo Aristófanes e outros convivas enfrentando-se na seguinte competição: cada um deve fazer um discurso de elogio à figura contraditória de Eros, o deus que é capaz de domar a todos, mortais e imortais“.

A narrativa se desenrola durante um simpósio, uma festa onde os participantes bebem vinho e compartilham discursos sobre o amor. Cada pessoa presente faz um discurso enaltecendo o amor, apresentando diferentes perspectivas sobre o tema.

Os discursos são marcados pela diversidade de opiniões. Alguns personagens defendem a visão de que o amor é um desejo físico e sensual, enquanto outros veem o amor como uma conexão emocional e espiritual. Os discursos variam em estilo e conteúdo, apresentando mitos e lendas, alusões poéticas e argumentos filosóficos.

O ponto culminante do diálogo ocorre quando Sócrates, um dos personagens centrais, conta a história do amor através do ensinamento da sacerdotisa Diotima. Segundo ela, o amor é um desejo de alcançar a imortalidade e a sabedoria. É uma força motivadora que nos impulsiona a buscar a perfeição e a transcendência.

Ao longo do diálogo, Platão também aborda a ideia de amor platônico, que é uma forma de amor idealizada e desprendida dos desejos físicos. Para Platão, o amor verdadeiro não é apenas uma atração pelo corpo, mas uma aspiração pela beleza eterna e pela busca do conhecimento.

No final do banquete, o filósofo Alcibíades interrompe as discussões e faz um discurso em homenagem a Sócrates, expressando sua admiração e amor pelo filósofo. O discurso de Alcibíades destaca a importância da filosofia e a figura inspiradora de Sócrates como um exemplo de amor e sabedoria.

Em “O Banquete”, Platão apresenta diversas reflexões sobre o amor e a natureza humana, fornecendo diferentes perspectivas filosóficas para a compreensão desse tema complexo. O livro convida os leitores a refletir sobre a natureza do amor e a busca da sabedoria e da transcendência como aspectos fundamentais da existência humana.

QUEM PARTICIPA DO BANQUETE

No diálogo “O Banquete” de Platão, os principais participantes do banquete e autores dos discursos são:

  1. Fedro: Ele faz o primeiro discurso sobre o amor, enfatizando sua importância e poder. Fedro argumenta que o amor inspira coragem e virtude.
  2. Pausânias: Ele apresenta o segundo discurso, dividindo o amor em dois tipos: o amor vulgar e o amor celeste. Pausânias discute as diferentes formas de amor e defende que apenas o amor virtuoso é digno de elogio. Pausânias, que também é mencionado no Protágoras (Prot., 315d), é um dos oradores do rememorado banquete de celebração à vitória de Agatão. Ele é citado como sendo oriundo da polis de Cerames, descrito como amante de Agatão, bem mais velho que seu amado, um advogado defensor da pederastia como elemento constitutivo da cultura na Grécia antiga e discípulo do sofista Pródico
  3. Erixímaco: O terceiro discurso é realizado por Erixímaco, que explora o amor sob uma perspectiva médica. Ele discute como o amor afeta a saúde e o equilíbrio do corpo e da alma.
  4. Aristófanes: Aristófanes é um conhecido comediante ateniense que faz o quarto discurso. Sua abordagem é mitológica e sugere que os seres humanos originalmente eram seres andróginos, com duas cabeças e corpos juntos. Eles foram divididos e, desde então, o amor é uma busca pela união perdida.
  5. Agatão: O quinto discurso é realizado por Agatão, um poeta trágico. Seu discurso é altamente elogioso e idealiza o amor como uma divindade, associando-o à beleza, à bondade e ao sucesso.
  6. Sócrates: Embora Sócrates não seja inicialmente um dos discursantes, ele ocupa um papel central no diálogo. É através de seu relato do ensinamento de Diotima, uma sacerdotisa, que se desenvolve o discurso mais famoso e abrangente sobre o amor. Sócrates apresenta o amor como uma busca pela beleza e sabedoria.

Além desses discursos, Alcibíades interrompe o banquete no final do diálogo para expressar seu amor e admiração por Sócrates, mas não apresenta um discurso estruturado sobre o tema do amor.

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Código de Ética dos Índios Norte-Americanos

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Levante com o Sol para orar.
Ore sozinho. Ore com freqüência.
O Grande Espírito o escutará, se você ao menos, falar.

Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho.
A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza,
originam-se de uma alma perdida.
Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

Procure conhecer-se, por si mesmo.
Não permita que outros façam seu caminho por você.
É sua estrada, e somente sua.
Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

Trate os convidados em seu lar com muita consideração.
Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama
e trate-os com respeito e honra.

Não tome o que não é seu.
Seja de uma pessoa, da comunidade,
da natureza, ou da cultura.
Se não lhe foi dado, não é seu.

Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra.
Sejam elas pessoas, plantas…

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