Impasse na Comissão Baleeira Internacional impede avanços no controle da caça às baleias

Japão, Islândia e Noruega são os únicos países que realizam a caça às baleias

Moratória internacional vigente desde 1986 proíbe a caça do maior mamífero do planeta, mas Japão, Islândia e Noruega usam artifícios para burlar a lei e seguir caçando.

Apesar de estar em vigência há quase 25 anos, a proibição da caça à baleia – imposta pela Comissão Baleeira Internacional (CBI) – não impediu que 35 mil exemplares deste mamífero aquático fossem mortos nesse período, segundo cálculos de organizações ambientalistas.

Isso porque três países da CBI não respeitam a moratória internacional à caça comercial de baleias vigente desde 1986: Japão, Islândia e Noruega. Os japoneses alegam que caçam com propósitos científicos, enquanto islandeses e noruegueses evocam controversos direitos especiais para burlar a lei.

Durante os últimos três anos, a CBI conduziu negociações para atingir um acordo com os três países que não respeitam a moratória. O compromisso deveria ser formalizado durante uma conferência realizada esta semana em Agadir, no Marrocos, mas o encontro fracassou.

Proposta polêmica

Para chegar a um acordo com Japão, Islândia e Noruega, os demais membros da CBI propuseram suspender a moratória por dez anos. Em troca, os três países baleeiros concordariam com a imposição de uma cota de abate de cerca de 1.400 baleias por ano, um pouco menos do que o número oficial de baleias caçadas anualmente hoje.

Durante esse período de dez anos, um novo acordo seria debatido. Defensores da proposta afirmam que ela impediria o abate de milhares de baleias em uma década, limitando a caça em vez de permitir que Japão, Noruega e Islândia determinem unilateralmente quanto vão caçar.

Já os opositores da proposta – entre eles Austrália, Alemanha, França e Reino Unido – temiam que ela acabasse por incentivar a caça à baleia. O compromisso era visto por muitos negociadores como a melhor oportunidade de recolocar os países baleeiros em linha com a agenda da CBI, que possui 88 membros. As negociações deverão ser retomadas em um ano.

Divisão entre os ambientalistas

A maioria dos grupos ambientalistas se disse satisfeita com o fracasso das negociações, já que era contrária ao fim da moratória. A Pro Wildlife qualificou como grande sucesso o fato de a pesca comercial não ter sido liberada, ainda que de forma limitada. Esse compromisso apenas teria recompensado os países que ignoraram a proibição durante tantos anos, destacou a ONG.

O Greenpeace também se disse satisfeito. Segundo o porta-voz Thilo Maack, a CBI deixou o caminho equivocado em que estava e poderá agora seguir novos rumos. “É bom para as baleias que a proposta tenha deixado a mesa de negociações”, afirmou o ativista Nicolas Entrup, da Sociedade para a Conservação das Baleias e dos Golfinhos. “A comunidade internacional condena a caça comercial.”

Já o WWF se mostrou decepcionado. “A caça à baleia continua fora do controle internacional, e o status quo foi reforçado”, disse o especialista em proteção de espécies Volker Homes.

Acusações de corrupção

Além da falta de compromisso, a conferência foi marcada por acusações de corrupção. Segundo o jornal Sunday Times, o Japão teria pago a viagem e os custos de hospedagem do diretor da conferência, Anthony Liverpool, um diplomata de Antígua e Barbuda. O jornal também levantou suspeitas de que os japoneses tenham subornado representantes de outros países.

As acusações contra o Japão já são antigas. ‘”Dos 88 países-membros, 24 foram aparentemente comprados pelo Japão”, afirmou Maack, do Greenpeace. “Países que recebem altos valores de ajuda ao desenvolvimento do Japão aparecem na conferência e votam a favor do Japão”, acusou.

Já os representantes do Japão disseram que a conferência não avançou por causa da posição intransigente dos países que são contra a caça. “Se não podemos chegar a um acordo, tenho de questionar se o Japão deve mesmo participar de discussões tão infrutíferas”, declarou o ministro da Pesca, Masahiko Yamada.

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/

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